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16/03/2016 11:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

11 coisas que as pessoas com estresse pós-traumático querem que você saiba

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Para começo de conversa, o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) não afeta apenas os veteranos de guerra.

Todo mundo passa por momentos de medo, mas para quem sofre de transtorno de estresse pós-traumático, o pavor assume vida própria.

As pessoas com TEPT já passaram por situações que a maioria de nós nem consegue imaginar. É verdade que cada um se recupera de traumas de modo diferente, mas, no caso de quem tem TEPT, o estresse se prolonga e atrapalha sua vida diária.

É como se sua resposta “lutar ou fugir” nunca se desligasse. Assim, essas pessoas são obrigadas a fazer adaptações em suas rotinas diárias.

Soa triste, não? Infelizmente, isso é apenas o começo. O TEPT é uma condição complexa que muitos não compreendem.

Veja abaixo algumas coisas importantes para se ter em mente quando se trata desse transtorno de saúde mental.

1. Não é preciso ser veterano de guerra para ter TEPT.

O transtorno pode aparecer depois de um acontecimento traumático, como sofrer ou assistir a uma agressão sexual, violência ou morte. Estima-se que 60% dos homens e 50% das mulheres vão passar por um acontecimento traumático em algum momento de suas vidas.

Mas isso não significa necessariamente que todos vão apresentar TEPT.

A condição é ligada mais comumente a veteranos de guerra que, quando estavam na ativa, provavelmente viviam cercados de situações traumáticas. A previsão é que entre 11% e 20% dos militares que serviram nas operações Liberdade Iraquiana e Liberdade Duradoura vão sofrer de TEPT em um determinado ano.

2. O tempo levado para a condição se desenvolver varia.

Às vezes os sintomas não aparecem de imediato. Existem dois tipos estresse pós-traumáticoxsde, segundo pesquisadores. Há o TEPT de curto prazo ou agudo, do qual a pessoa pode se recuperar depois de alguns meses, e o crônico, no qual os sintomas tendem a persistir por mais tempo.

3. Nos piores casos, o TEPT pode levar ao suícídio.

Um dos efeitos colaterais assustadores de qualquer doença mental é o risco de pensamentos nocivos ou suicidas. Acredita-se que os militares, tanto os que prestaram serviço numa guerra quanto os que não o fizeram, apresentam risco mais alto de suicídio que a população americana geral.

Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, procure a International Association for Suicide Prevention para obter uma lista de instituições internacionais que prestam um serviço semelhante.

4. O estresse pós-traumático não é incomum.

Quase 8 milhões de adultos americanos sofrem de TEPT em qualquer ano dado, segundo o Departamento Americano de Questões dos Veteranos de Guerra. Além disso, 8% da população geral apresenta TEPT em algum momento da vida.

5. Os sintomas tomam conta de sua vida.

Os efeitos do estresse pós-traumático não são apenas de natureza emocional. A condição é ligada a problemas físicos, como saúde cardiovascular prejudicada e problemas gastrointestinais . Ela se caracteriza também por episódios de medo paralisante, pela fuga de situações que engatilham esses medos e por mudanças de humor, como sentimento extremo de culpa, preocupação acirrada ou perda de motivação.

6. Existe um estigma enorme que cerca a condição.

As pessoas com estresse pós-traumático muitas vezes são cercadas de estereótipos negativos, como ocorre com a maioria das doenças mentais. Segundo os Centros de Controle de Doenças dos EUA, apenas 25% das pessoas com doenças mentais sentem que as outras pessoas compreendem sua condição. É um problema enorme, porque o estigma muitas vezes leva as pessoas a não buscar tratamento adequado.

7. O TEPT não é algo ao qual você deve aludir como brincadeira.

Falar de doenças mentais em tom de brincadeira ou coloquialmente apenas perpetua percepções incorretas. Pense duas vezes antes de dizer que um dia estressante no trabalho ou uma discussão incômoda “lhe deu TEPT”.

8. Os tratamentos de estresse pós-traumático variam segundo cada pessoa.

As doenças mentais não são iguais para todos, e os tratamentos, tampouco. As pessoas com TEPT provavelmente terão que experimentar terapias, medicamentos e outras técnicas diferentes para descobrir o que funciona melhor para elas.

9. Não está “tudo na cabeça da pessoa”.

A mente é o órgão mais complexo do corpo, e as doenças relacionadas devem ser tratadas como tais. Pesquisas mostram que o estresse traumático afeta regiões do cérebro. Em outras palavras, o TEPT não é algo que a pessoa pode superar, simplesmente, nem é uma atitude que ela adota para tentar chamar a atenção.

10. Os gatilhos não são universais.

Como o TEPT tem sua origem em experiências traumáticas diferentes, os gatilhos que agravam a condição e levam a pessoa a reviver a experiência traumática não são os mesmos para todo o mundo. A condição pode ser administrada, mas sempre existe o risco de que uma pessoa com quem você topa na rua, um som que ouve no supermercado ou até um comentário feito por um parente possam desencadear medo paralisante. É uma realidade difícil de se encarar diariamente.

11. É possível ter uma vida saudável e produtiva com TEPT.

O fato de alguém ter estresse pós-traumático não quer dizer que essa pessoa seja incapaz de funcionar ou ter uma vida que a realiza. Novamente, o tratamento correto é necessário. Como um câncer ou uma gripe, uma doença é apenas um aspecto da realidade da pessoa, uma das peças que compõem seu quebra-cabeça total. A doença não define a pessoa, e essa é a verdade mais importante a lembrar.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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