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15/03/2016 22:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Delação acelera cassação de Delcídio do Amaral

Senado Federal/Flickr
Sala de comissões do Senado durante instalação dos trabalhos e eleição do presidente e vice-presidente para o biênio 2015/2016.À bancada, senador Delcídio do Amaral (PT-MS).Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A homologação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral acelerou a possibilidade de cassação no processo de quebra de decoro que tramita contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado.

Inicialmente, havia uma movimentação no Senado por parte de alguns aliados para enrolar ao máximo o processo de cassação do senador. No PT, também havia uma articulação para que ele não fosse expulso e levasse apenas uma suspensão ou outra pena leve. O senador, entretanto, entregou a carta de desfiliação nesta terça-feira (15).

Petistas chegaram a visitar o senador na prisão e logo após ele ter mudado para o regime domiciliar como sinalização de apoio.

Toda solidariedade, entretanto, foi por água abaixo nesta terça, quando a delação foi divulgada. No Senado, o principal comentário foi o de que o senador “atirou para todos os lados”.

Parlamentares, como o relator do processo no Conselho de Ética, o senador Telmário Mota (PDT-RR), disseram que chegaram a ser procurados pelo senador petista. Ao HuffPost Brasil, Telmário disse que não aceitou conversar com o parlamentar. “Achei que não era prudente por estar com a relatoria do caso dele.”

Integrante do Conselho de Ética, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) acredita que o relatório pela cassação de Delcídio será aprovado por unanimidade.

"Duvido que depois dessa delação alguém vote contra a cassação. Vai ser por unanimidade. Também vamos apresentar um requerimento para que ele seja convocado a prestar depoimento no conselho. Acredito que a convocação também vai ser aprovada por unanimidade. Ele tem que explicar o que ele disse ou reafirmar ou ainda acrescentar alguma informação nova."

Mercadante

As declarações de Delcídio já fizeram uma vítima, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Embora tenha se defendido, o ministro e a presidente Dilma Rousseff estão sendo pressionados para mudar o comando da pasta.

A nova composição da Esplanada, com a inclusão do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, e possivelmente do deputado Mauro Vieira (PMDB-MG) no comando da Secretaria de Aviação Civil, deve ser empossada na próxima quinta-feira (17).

Caso haja trocas na Educação e em outras pastas, como a Secretaria de Governo, com o ex-presidente Lula, as posses também deverão ocorrer no dia 17.

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