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14/03/2016 11:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Sede de sindicato é invadida pela PM e ouvidor da polícia de SP classifica caso como 'risco à democracia'

Montagem/Reprodução Facebook

Policiais militares armados invadiram uma plenária em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, organizada pelo PT na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - ligado ao PT - em Diadema, na Grande São Paulo, na última sexta-feira (10). O ouvidor da Polícia Militar de São Paulo, Júlio Cesar Neves, classificou o episódio como um "risco à democracia".

“É algo inédito e precisamos saber de quem partiu a ordem. Isso é um risco à democracia. Em 1964 começou assim”, disse Neves, em referencia ao período da ditadura militar (1964-1985). O ouvidor afirmou que vai cobrar explicações da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

“Vamos tomar todas as providências cabíveis. Já preparamos uma representação à Secretaria de Segurança. Isso é um absurdo. Não estamos em 1964. Vamos tomar providências não apenas no âmbito da ouvidoria e da corregedoria. Vamos pedir uma explicação para a secretaria”, completou Neves.

Segundo o deputado estadual Luiz Turco (PT-SP), um grupo de pessoas estava reunido na subsede do sindicato para uma homenagem a Lula, que foi alvo de um pedido de prisão do Ministério Público de São Paulo na quinta-feira, e do ex-prefeito de Diadema e ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo José de Filippi Junior, quando dois policiais militares armados com metralhadoras entraram no local sem mandado judicial dizendo que foram chamados para averiguar uma "denúncia" de reunião em favor do petista.

"Quando cheguei os policiais estavam em uma sala da diretoria e o nosso pessoal todo do lado de fora. Tentamos negociar a saída deles, mas eles já haviam chamado reforços", disse o deputado.

Hoje Diadema mostrou sua força e seu apoio aos companheiros Lula e Filipi, no Sindicato dos Metalúrgicos da...

Publicado por Luiz Turco em Sexta, 11 de março de 2016

Imagens publicadas em redes sociais mostram quatro carros da PM com sirenes acessas na frente da subsede do sindicato.

PM querendo invadir plenária da subsede do sindicato dos metalúrgicos do ABC em plenária de apoio ao Filipi e Lula, agora a pouco , diadema, SP, março 2016

Publicado por Aparecido Araujo Lima em Sexta, 11 de março de 2016

Segundo Turco, os policiais pediram documentos dos participantes da reunião, inclusive parlamentares. Além dele, estavam no local o deputado federal Vicentinho e o estadual Teonilio Barba, ambos do PT.

ESTADO DE EXCEÇÃO? Na noite desta sexta-feira (11), estávamos no Sindicato dos Metalúrgicos de Diadema reunidos com a...

Publicado por Teonilio Barba em Sexta, 11 de março de 2016

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC divulgou uma nota na qual "insta o Poder Executivo Estadual a manter as suas forças policiais nos estritos limites da legalidade, contendo e corrigindo os abusos ocorridos".

Em nota, a SSP afirmou que não houve “qualquer tipo de invasão ou intimidação a sindicalistas”. De acordo com a pasta, a PM foi ao local por ter recebido uma informação de que haveria uma passeata, com a saída prevista da subsede do sindicato no ABC paulista. Ainda segundo a secretaria, é “a errada conotação política que alguns militantes políticos pretenderam dar a uma normal situação”.

“Uma única viatura dirigiu-se ao local para verificar qual seria o trajeto, no intuito de providenciar a segurança dos manifestantes. Foram orientados [os policiais] a ingressar no local para falar com os responsáveis, quando, porém, passaram a ser hostilizados por várias pessoas, que impediram a saída dos policiais. Para evitar qualquer tumulto, foram [os policiais] orientados a se dirigir até uma sala reservada e aguardar a chegada da Força Tática”.

Também às vésperas dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff (PT), a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Paulo, foi alvo de pichações.

A HISTÓRIA NÃO SE REPETIRÁ Nessa manhã do dia 12 de março de 2016, a sede das entidades estudantis foi atacada com...

Publicado por União Nacional dos Estudantes em Sábado, 12 de março de 2016

No domingo, o Palácio do Planalto divulgou nota, assinada por Dilma, em que a presidente classifica o ato contra a UNE como uma "ação violenta, que confunde o debate político saudável e democrático com a disseminação do ódio". Ela também repudiou a operação policial na sede do Sindicato dos Metalúrgicos no mesmo comunicado:

“É intolerável a violência cometida por vândalos que neste sábado atacaram a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Paulo. Trata-se de uma ação violenta, que confunde o debate político saudável e democrático com a disseminação do ódio. Como venho afirmando à imprensa, ações que constituam provocação, violência e vandalismo prestam enorme e preocupante desserviço ao Brasil.

Lutamos por muitos anos para o restabelecimento da ordem democrática, para o funcionamento adequado das instituições e para o pleno exercício do direito à expressão e a manifestação política. O que se viu na sede da UNE, no entanto, foi um gesto de intimidação gratuita e uma afronta a democracia, e deve ser repudiado por todos aqueles que acreditam numa nação livre e democrática.

Os mesmos princípios democráticos devem ser defendidos em relação ao episódio ocorrido na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema, na sexta-feira à noite. É preciso que o governo de São Paulo apure com rigor o ocorrido e as motivações para a ação de policiais armados durante uma plenária em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Que os fatos sejam plenamente esclarecidos”.

(Com Estadão Conteúdo)

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