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14/03/2016 23:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Receio de manchar legado faz Lula adiar decisão de aceitar ministério

EFE

No que dia que a juíza Maria Priscilla Ernandes, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, decidiu encaminhar para o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, a denúncia e o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a possibilidade do petista se tornar ministro do governo da presidente Dilma Rousseff cresceu.

Enquanto alguns petistas já comemoram a notícia de que o presidente será integrante do núcleo duro da coordenação política do governo, ainda pairam dúvidas sobre o anúncio oficial.

A principal questão é sobre desvincular a imagem do ex-presidente do mero interesse no foro privilegiado. Com o processo na Justiça do Paraná e o histórico de decisão rápida do juiz Sérgio Moro, há o temor que de a prisão preventiva do ex-presidente seja acolhida o quanto antes.

Caso aceite ser ministro, o ex-presidente passa a ter foro privilegiado e o processo dele sobe para o Supremo Tribunal Federal. Da lista de políticos denunciados na Lava Jato apresentada ao STF em março do ano passado, apenas o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se tornou réu. Já das ações que correm no Paraná, algumas já chegaram a fase de condenações.

O atual ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, se apressou em negar que o ex-presidente esteja interessado em ter foro privilegiado. Segundo ele, é isso que faz que Lula não aceite de imediato o convite. Ele estaria “constrangido”com a ideia.

Antes do anúncio oficial, a oposição também se pronunciou. O deputado Sílvio Torres (PSDB-SP) acredita que a nomeação do ex-presidente para um ministério é o jeito que o partido encontrou para livrar o ex-presidente da prisão.

Avaliação positiva

Os petistas, no entanto, não se importam com as críticas. Eles ressaltam a capacidade de agregadora do ex-presidente e a habilidade que ele teria para articular contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Há também a avaliação de que o ex-presidente não aceitaria assumir um ministério se o País não melhorasse. Uma das estratégias seria interferir na política econômica de Dilma.

De acordo com o jornal O Globo, a exigência do petista não seria a troca do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, mas a adoção de uma política mais “frouxa”.

Aliados do petista reconhecem que, se não houver melhora na economia, a imagem que o Lula tinha construído pode ser abalada.

A expectativa é que ele aceite a Secretaria de Governo, que hoje é comandada pelo ministro Ricardo Berzoini ou uma pasta que agregue a coordenação política.

Um outro motivo que também tem impacto no adiamento da decisão de Lula é a questão jurídica. O governo analisa se não poderia abrir a interpretação de que o Planalto estaria tentando favorecer o ex-presidente e obstruindo as investigações da Lava Jato.

Denúncia

Lula foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica pela suspeita de que tenha ocultado o triplex do Guarujá da receita.

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