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14/03/2016 13:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Germanwings: O conflito entre o sigilo médico e a segurança

Agências de Notícias

Neste domingo (13), foi publicado o relatório final sobre o acidente da Germanwings. Redigido pela agência de investigação de acidentes aéreos da França, o BEA, o documento, mais uma vez, levanta uma questão delicada: até que ponto o sigilo médico poderia ser rompido para que fosse evitada uma tragédia?

No ano passado, o co-piloto Andreas Lubitz, da Germanwings, derrubou um avião nos Alpes no dia 2 de março do ano passado, matando todas as 150 pessoas a bordo. Segundo a investigação, ele esperou que o piloto fosse ao banheiro, se trancou na cabine e derrubou - deliberadamente - a aeronave.

Os investigadores franceses recomendaram exames médicos mais rigorosos para os pilotos após recentes descobertas a respeito das preocupações não declaradas sobre o estado mental de Lubitz.

De acordo com o documento, um médico consultado pelo jovem recomendou que ele deveria ser tratado em um hospital psiquiátrico duas semanas antes do desastre.

O médico particular, que não foi identificado, foi um dos vários médicos consultados pelo piloto que lutava com os sintomas de um "episódio depressivo psicótico" que começou em dezembro de 2014 e pode ter durado até o dia do acidente, disse a BEA.

A BEA informou neste domingo, em seu relatório final, que nem Lubitz nem nenhum dos seus médicos haviam alertado as autoridades aeronáuticas nacionais ou a companhia aérea sobre sua doença, pela qual ele estava sendo tratado com antidepressivos.

A agência pediu à Organização Mundial de Saúde e à Comissão Europeia que elaborem regras para obrigar os médicos a informar as autoridades quando a saúde de um paciente tem grande possibilidade de gerar impacto na segurança pública: se necessário, sem o consentimento do paciente.

A BEA pediu ainda que sejam feitas inspeções mais rigorosas quando pilotos com história de problemas psiquiátricos são declarados aptos para voar. Nenhum dos médicos que trataram de Lubitz concordou em falar com os investigadores franceses ou alemães, segundo a agência.

"Na Alemanha e na França, os médicos são muito fiéis à noção de sigilo médico, mas eu espero que haja algum movimento por lá", disse o diretor da agência, Remi Jouty, em entrevista coletiva.

Ao mesmo tempo, a BEA convocou as companhias aéreas a encontrar maneiras de aliviar os riscos dos pilotos que podem perder seus empregos por razões médicas, com um seguro por perda de licença, por exemplo.

A Germanwings, da Lufthansa, informou que já oferece seguro para jovens pilotos que não podem voar por problemas médicos.

(Com informações da Reuters)