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12/03/2016 14:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Convenção do PMDB tem gritos de 'Fora, Dilma' e 'Temer presidente'. Mas, por enquanto, partido fica na base do governo

A convenção nacional do PMDB teve gritos de 'Fora, Dilma' e 'Temer presidente', mas não foi neste sábado que o partido decidiu por se desligar do governo federal. Mesmo com os diretórios estaduais apoiando a ruptura, a decisão fica para daqui 30 dias. O partido falou em crise moral, econômica e social. Renan Calheiros, José Sarney e Eduardo Cunha estiveram por lá.

O vice-presidente da República, Michel Temer, pediu a união do partido e evitou críticas ou acenos de apoio ao governo.

"Não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar ânimos, de levantar muros", disse o peemedebista neste sábado, em meio a apelos, no evento, para que o partido desembarque do governo Dilma Rousseff.

"A hora é de construir pontes e é o que o PMDB está e estará fazendo. Sairemos daqui hoje todos nós unidos em torno de um sentimento nobre, de um ideal, em nome dos brasileiros, para resgatar os valores da nossa República e reencontrar a via do crescimento econômico e do desenvolvimento social", disse o presidente da sigla, tratado na convenção, que ocorre em Brasília, como futuro presidente da República.

No discurso, Temer falou que o País enfrenta uma "gravíssima crise política e econômica". "Não podemos nos abater nem perder a confiança no futuro", disse Temer.

O partido se divide entre os governistas, que tentam postergar o desembarque do governo, e as lideranças que pedem o afastamento imediato.

Na convenção deste sábado, só as vozes contrárias ao governo, além do próprio Temer, que evitou as críticas, tiveram acesso ao microfone. Os peemedebistas aliados ao governo Dilma evitaram desgaste com discursos perante a militância.

Temer chegou acompanhado do ex-presidente da República José Sarney e dos presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL). No discurso, disse que o partido "converge em todas as ocasiões em que é preciso cuidar do Brasil".

Sem novos cargos

Segundo o jornal O Globo, em uma demonstração do que pode ser um afastamento em andamento, o PMDB aprovou em convenção uma moção neste sábado que impede que integrantes do partido assumam cargos no governo nos próximos 30 dias, quando o partido decidirá sobre o desembarque do governo.

Marta sobe o tom

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que deixou o PT há menos de um ano, fez críticas enfáticas à presidente Dilma Rousseff e defendeu a chegada do vice-presidente da República, Michel Temer, ao poder.

"Uma presidente que não dá conta do recado, uma presidente isolada e que não consegue governar o País", criticou a ex-petista, que se filiou em setembro ao PMDB.

Com um adesivo com os dizeres "saída já", Marta disse apoiar a saída do governo "o quanto antes".

Saída imediata?

Favorável ao desembarque do PMDB do governo, o senador Valdir Raupp (RO) disse na manhã deste sábado que tem ficado "mais difícil" manter os cargos do partido na atual gestão petista. "A população cobra alguma atitude do PMDB. É difícil a manutenção dos cargos", afirmou, ao chegar para a convenção nacional do partido.

"O PMDB não vai para as ruas, mas apoia as manifestações pacíficas", disse Raupp.

Ala oposicionista

Na moção apresentada pela ala oposicionista do PMDB, parlamentares requerem "a imediata saída do PMDB do governo, com a entrega dos cargos em todas as esferas do Poder Executivo Federal, importando a desobediência a esta decisão da convenção nacional em instauração de processo ético contra o filiado".

No texto, o grupo cita as crises política e econômica do País, salientando também a "crise ética e moral que assola a Nação".