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10/03/2016 20:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Lula deixaria 'Marx e Hegel envergonhados', afirmam promotores em pedido de prisão

Montagem/Flickr/Getty Images

Os promotores Cassio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo afirmaram, no pedido de prisão preventiva de Luiz Inácio Lula da Silva, que "as atuais condutas" do ex-presidente "que outrora chegou a emocionar o país ao tomar posse como Presidente da República em janeiro de 2003 ('o primeiro torneiro mecânico' a fazê-lo de forma honrosa e democrática), certamente deixariam Marx e Hegel envergonhados".

Leia o pedido de prisão do ex-presidente na íntegra.

Lula foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica em relação ao triplex do Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral sul de São Paulo. Segundo os promotores, o objetivo da prisão preventiva é garantir a aplicação da lei penal, “pois sabidamente possui poder de ex-presidente da República, o que torna sua possibilidade de evasão extremamente simples”.

No pedido encaminhado a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, os promotores citam "o princípio constitucional da legalidade, ou seja, de que ninguém está acima ou à margem da lei" e alegam que Lula "atentou contra a ordem pública ao desrespeitar as instituições que compõem o Sistema de Justiça".

Para os promotores do Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente "jamais poderia inflamar a população" e, segundo eles, foi isso que o ex-presidente fez "valendo-se de toda sua 'força político-partidária', ao convocar entrevista coletiva após ser conduzido coercitivamente para ser ouvido em etapa da Operação Lava Jato".

Conserino, Blat e Araújo citam ainda o vídeo gravado pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) no qual é possível ouvir Lula dizer "eles que enfiem no cu todo este processo", o que os promotores chamam de um "verdadeiro ataque às instituições do Sistema de Justiça". "Mais não é preciso dizer", completam no item 128 da denúncia.

Durante coletiva de imprensa, os promotores negaram motivação política e disseram ter baseado a denúncia contra Lula em documentos e relatos de testemunhas. "O nosso calendário é judicial, pouco importando se este ou aquele procedimento tenha repercussão política", afirmou Blat.

Apesar de falarem aos jornalistas por mais de uma hora, em nenhum momento os promotores confirmaram o pedido de prisão do ex-presidente. O pedido do Ministério Público só veio à tona após a coletiva, com a divulgação na íntegra da denúncia.

A citação a Marx e Hegel na denúncia gerou repercussão nas redes sociais e os nomes dos filósofos estavam nos trending topics do Twitter na noite desta quinta-feira (10). Especialmente porque, possivelmente, os promotores queriam escrever "Engels" em vez de "Hegel". O alemão Friedrich Engels fundou com Karl Marx o marxismo e foi co-autor do Manifesto Comunista.









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