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10/03/2016 11:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Às vésperas de desembarcar do governo, PMDB alinha discurso com PSDB para encontrar 'saída para a crise'

Marcos Oliveira/Ag. Senado/Antônio Cruz/Ag. Brasil

Lideranças do PMDB e do PSDB prometem “caminhar juntos” contra a crise política e econômica que o Brasil vive. É o que ficou definido em um encontro entre caciques dos dois partidos na noite desta quarta-feira (9), na casa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), em Brasília. O jantar aconteceu às vésperas da convenção nacional do PMDB, marcada para este sábado (12), e que pode marcar a saída da sigla do governo Dilma Rousseff (PT).

“Há uma constatação de que o momento é bastante grave. Tanto o PMDB como o PSDB não podem ficar omissos. Vamos trabalhar juntos para encontrar, o mais breve possível, uma saída para a crise que o Brasil vive”, disse Jereissati à imprensa ao final do encontro, em declarações reproduzidas pelo jornal Folha de S. Paulo.

Do lado peemedebista estiveram presentes o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), e o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Do lado tucano participaram, além de Jereissati, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), José Serra (PSDB-SP), Antônio Anastasia (PSDB-MG), Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

Ao final do encontro, Jereissati e Oliveira falaram aos jornalistas e expuseram que vários cenários foram discutidos pelos parlamentares dos dois partidos. “Essa aqui é uma conversa de gente adulta preocupada com o País. Não viemos aqui derrubar o governo Dilma. Viemos buscar uma saída para a crise”, destacou o líder do PMDB no Senado, ressaltando que até o cenário com a manutenção da petista na Presidência da República foi discutido.

“É fundamental conversarmos para buscar uma saída, uma solução para essa crise. Do jeito que está não dá para continuar. É essa a conclusão. E com certeza vamos tentar aglutinar outras forças políticas”, afirmou Jereissati, em palavras reproduzidas pelo G1. Questionado sobre a participação do PT nessa aliança contra a crise, Oliveira deixou a porta aberta: “Se quiser participar...”.

Já o PSDB tem um discurso avesso a presença petista na solução. Para Jereissati, outros partidos que integravam a base do governo “estão percebendo que é preciso encontrar uma saída”. Em comum para todos os envolvidos, o pensamento de que o Congresso Nacional deva ser protagonista rumo ao fim da crise, e isso obrigatoriamente passa por discutir o processo de impeachment de Dilma.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o vice-presidente da República Michel Temer, também presidente nacional do PMDB, estaria costurando um acordo interno junto a Calheiros e Jucá para liberar os parlamentares na votação do impeachment no Congresso. A publicação diz que o documento será apresentado na convenção do partido, aparecendo como uma alternativa mais branda à proposta de desembarque imediato do governo, defendida pela ala mais radical da legenda e que vem crescendo conforme a data da convenção se aproxima.

Repercussão

No Twitter, a repercussão do encontro entre peemedebistas e tucanos foi quase imediata, com opiniões das mais diversas vertentes.

Horas antes do jantar com os tucanos, peemedebistas como Calheiros se encontraram com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília. Assim como no debate com os senadores do PSDB, o foco das discussões foi a crise que o País atravessa.

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