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08/03/2016 10:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Maluf elogia honestidade de Alckmin, que desconversa sobre planos para 2018

Rovena Rosa / Agência Brasil

Afirmando que três anos na atual situação da política brasileira equivalem a "a três séculos", o governador Geraldo Alckmin (PSDB) desconversou quando perguntado o que achou de o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) ter praticamente lançado seu nome para a disputa presidencial em 2018.

Ao lado do governador e de demais autoridades que participaram de evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Maluf fez vários elogios a Alckmin e disse o encorajou a se candidatar à Presidência nas próximas eleições. "Primeiro que 2018, três anos, com a situação política brasileira, são três séculos. Fica muito longe", desconversou.

"Ninguém que é governador de São Paulo pode dizer que não é candidato a presidente", disse Maluf, se dirigindo a Alckmin. Segundo o deputado, o governador desde novo sempre foi comprometido com a causa pública e nunca pediu nada a ele, quando governador de São Paulo, que fosse para favorecimento pessoal. "Nesse momento por que passa o Brasil, São Paulo é um oásis de honestidade", disse Maluf, acrescentando que pede a Deus que dê a Alckmin chances de galgar patamares maiores na política.

Maluf foi condenado a três anos de prisão na semana passada, pela Justiça da França, por lavagem de dinheiro de 1996 a 2005. A sentença incluiu ainda o confisco de 1,8 milhão de euros de contas da sua família. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido fruto de desvios de obras viárias em São Paulo.

Prévias no PSDB

As prévias do PSDB, de acordo com Alckmin, não dividem o partido, apenas servem para escolher os candidatos e dar espaço a novas lideranças. "Você sempre tem que escolher entre vários. Só que uma escolha mais ampla permite uma participação maior. Veja este 'Super Saturday' americano, coisa fantástica. No Partido Republicano, Ted Cruz; no Democratas, (Bernie) Sanders. Eles não teriam oportunidade de expor as suas ideias se não fosse a primária. Ela é que permite que novas lideranças possam expor as suas ideias", disse Alckmin.

Alckmin tem criticado a tradição tucana de escolher de cima para baixo os candidatos. Ele apoia o empresário João Doria, que disputa a candidatura para a Prefeitura de São Paulo com o vereador Andrea Matarazzo, apoiado por lideranças históricas do partido como Fernando Henrique Cardoso e José Serra.

O governador minimizou a tensão da disputa, dizendo que a tensão é "natural" nesses processos de escolha. Nesta segunda-feira, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que Matarazzo decidiu apelar para a Justiça comum para impugnar a candidatura de Dória. O empresário é acusado de comprar votos no primeiro turno das prévias e já enfrenta um pedido de impugnação dentro do partido.

"Sempre que se têm prévias, tem disputa, numa convenção também. Mas eu não tenho dúvida de que, encerrado este período, vamos estar todos juntos. A unidade é maior que a divergência. Estaremos juntos para ampliarmos alianças e oferecermos trabalho para São Paulo", disse.

MPE investiga dados incorretos sobre crimes na Secretaria da Segurança Pública

O Ministério Público Estadual (MPE) abriu inquérito civil para apurar os casos de homicídio ocorrido em São Paulo que foram registrados como "morte suspeita" e ficaram fora das estatísticas criminais da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).

A apuração é para verificar "irregularidade ou ilicitude ou deficiência na fonte, metodologia de coleta e análise de dados, classificação, registro e critério estatístico de crimes ocorridos no Estado, inclusão de banco de dados e divulgação de número, índices e indicadores pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, como transparência dos índices ou indicadores de criminalidade e o resultado do trabalho de fornecimento de segurança pública na preservação da ordem pública".

A portaria de instauração do inquérito, assinada por dois promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social da Capital, afirma que "os critérios de classificação e registro de crimes podem expressar incorretamente a informação sobre a mortalidade e o tipo de crime ocorrido, prejudicando a transparência e a fidelidade da informação".

O alvo da investigação é a Secretaria de Estado da Segurança Pública. Os promotores dão 30 dias de prazo para que a pasta explique quais são as fontes e a metodologia de coleta e análise dos dados, determine quais são as fontes de obtenção das informações e informe ainda se as informações passam por auditoria.

Além disso, o MPE quer saber quais são os procedimentos internos na secretaria em caso de reclamação de incorreção dos dados. O inquérito tem como uma de suas fontes reportagem do jornal O Estado de S.Paulo que afirma que o número de assassinatos em São Paulo é maior do que o divulgado pela secretaria, publicado na última quinta-feira, dia 3.

A secretaria foi questionada sobre o tema. Assim que seu posicionamento for enviado, a resposta será acrescentada a esse texto.

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