NOTÍCIAS
08/03/2016 14:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Este vídeo da UNICEF sobre casamento infantil é um tapa na cara de todos nós

A Unicef divulgou, nesta terça-feira (8), um vídeo perturbador sobre o casamento infantil, prática que ainda é "comum" e socialmente aceita em muitos países.

O material faz parte de uma nova iniciativa da agência da ONU, que deve envolve vários países com o objetivo de conduzir ações que aceleremo fim do casamento infantil.

Segundo estimativas da própria Unicef, 15 milhões de meninas devem se casar até o final do ano, antes que cheguem à maioridade.

Caso a tendência atual não seja revertida, a agência estima que até 2030, o número de meninas e mulheres que foram casadas ainda crianças vai chegar a 1 bilhão. Segundo o Mashable, apenas hoje, 41 mil meninas menores de 18 anos devem se casar.

"Escolher quando e com quem se casar é uma das decisões mais importantes da vida. O casamento infantil nega essa escolha a milhões de meninas, todos os anos", afirma Babatunde Osotimehin, diretor-executivo do Fundo de Populações das Nações Unidas.

O novo plano da Unicef inclui aumentar o acesso de meninas à educação e aos serviços de saúde, mas também conscientizar pais e líderes comunitários sobre os perigos do casamento infantil.

O casamento infantil é uma violação aos direitos das mulheres e das meninas. Meninas que se casam ainda crianças estão mais propensas a abandonarem a escola, a serem vítimas de violência doméstica, a contraírem HIV e a morrerem vítimas de complicações durante a gravidez ou o parto, pois seu corpo normalmente não está pronto para dar à luz. Além disso, segundo a Unicef, o casamento infantil é danoso à economia e fomenta ciclos integeracionais de pobreza.

Em seu boletim de março de 2016, a Anistia Internacional também denunciou o casamento infantil em Burkina Faso. Segundo o documento, a diferença de idade entre as noivas e seus parceiros pode chegar a 50 anos. O país é o sétimo do mundo que mais casa meninas. Mais de 50% das mulheres se casa antes de completar 18 anos, e apenas 17% da população feminina do país faz uso de métodos contraceptivos.

Um dos casos citados no relatório é o de uma menina identificada como Maria. Ela foi forçada, aos 13 anos, a se casar com um homem de 70, que já tinha outras cinco esposas. Ela caminhou 169 km durante três dias para conseguir apoio e escapar da união.