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03/03/2016 18:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

‘Conjunto de mentiras', diz Cardozo sobre delação de Delcídio

Geraldo Magela /Agência Senado

O governo reagiu as notícias sobre a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que foi preso na Operação Lava Jato. O advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, acusa o ex-líder do governo de mentir e ter construído a história “por vingança” para sair da prisão.

“Tivemos no conjunto em que eu e a presidente fomos citados um conjunto de mentiras. (…) Delcídio, de fez delação, é porque queria ter saído da prisão e queria atingir algumas pessoas. Delcídio estava inconformado por ter sido preso e pelo governo não ter agido para tirá-lo da prisão.”

O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, também criticou a postura de Delcídio. Após reunião com a presidente Dilma Rousseff, o ministro disse que Dilma recebeu a notícia com indignação.

“A presidente está preocupada, porque eu acho que é uma coisa totalmente fora de qualquer padrão, uma delação que eu não sei se foi, pelo que sei não foi homologada, que envolve ministros e principalmente a figura da presidenta da República”, disse o ministro em coletiva de imprensa.

Para Wagner, o suposto relato de Delcídio "não tem consistência" e há "muita poeira". "Alguém viu alguma prova ali? Não, eu só vi suposição onde ele próprio é o delator, ele é a testemunha, ele é tudo. Acho que não tem nenhuma consistência ali não. Tem muita poeira e pouca materialidade, mas eu não vou entrar nessa discussão", disse o ministro.

Em nota, a presidente questionou os vazamentos.

"Se há delação premiada homologada e devidamente autorizada, é justo e legítimo que seu teor seja do conhecimento da sociedade. No entanto, repito, é necessária a autorização do Poder Judiciário. Repudiamos, em nome do Estado Democrático de Direito, o uso abusivo de vazamentos como arma política. Esses expedientes não contribuem para a estabilidade do País", diz trecho da nota.

Impeachment

A oposição usará as notícias sobre a relação de Delcídio para pedir um aditamento ao processo de impeachment aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha(PMDB-RJ).

Segundo o senador Aécio neves (PSDB-MG), este é o momento mais grave de denúncias.

"Se confirmadas, a presidente Dilma Rousseff não tem mais condições de continuar governando o país. Seria uma omissão imperdoável das oposições não permitir que a comissão do impeachment e o plenário da Câmara não se debrucem também sobre essas informações. Caberá às investigações analisar comprovar a veracidade delas.”

Delação não é confirmada

Delcídio negou a delação. Em nota, o senador afirmou que não confirma a notícia nem reconhece a autenticidade dos documentos anexados ao texto.

Segundo a revista Isto É, Delcídio do Amaral teria firmado um acordo de delação premiada com a equipe que investiga a Operação Lava Jato e nos depoimentos teria dito que a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.

(Com Agência Brasil)

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