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02/03/2016 18:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Gato subiu no telhado: STF indica que aceitará denúncia contra Cunha na Lava Jato

Montagem/Agência Brasil

O relator da denúncia contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ministro Teori Zavasckiacatou parcialmente o pedido do Ministério Público Federal na ação que torna o parlamentar réu na Operação Lava Jato.

Outros cinco ministros (Rosa Weber, Marco Aurélio de Mello, Luiz Edson Fachin, Luís Edson Barroso e Cármen Lúcia) adiantaram que seguem o voto do relator. Como são maioria, se confirmarem a posição na quinta-feira (3), Cunha se torna réu.

Segundo o relator, há indícios suficientes de que Cunha foi destinatário de parte da propina e que houve lavagem de dinheiro com transferência de dinheiro para uma igreja evangélica. Teori chega a dizer que Cunha se rendeu a "engrenagem criminosa".

“Na celebração dos contratos houve uma certa alusão por parte dos depoimentos, mas nada disso foi confirmado. Depois os próprios colaboradores se encarregaram de afastar a hipótese." Esta foi justificativa sobre o motivo pelo qual acatou a denúncia parcialmente e refutou a tese de que o parlamentar participou de todo processo.

Em outro momento, o ministro ressaltou que também há indícios consistentes com a acusação de que os requerimentos feitos por Solange Almeida tinham a intenção de pressionar o consultor Julio Camargo para retomada do pagamento da propina.

No início da plenária, o procurador-Geral, Rodrigo Janot, detalhou como operava o esquema. De acordo com Janot, Cunha recebeu do delator Julio Camargo US$ 5 milhões de propina de parte de um contrato, feito sem licitação, para instalação de dois navios-sonda do estaleiro Samsung Heavy Industries em 2006 e 2007.

Janot também argumenta que o deputado pediu, em 2011, à ex-deputada e atual prefeita de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, Solange Almeida a apresentação de requerimentos à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para pressionar o estaleiro, que parou de pagar as parcelas da propina.

Segundo Janot, não há dúvida de que Cunha foi o verdadeiro autor dos requerimentos. A prefeita foi incluída no processo. “Solange jamais se interessou por essa matéria”, enfatizou o procurador na plenária no STF.

Advogado de Cunha, Antonio Fernando de Souza disse que a acusação de Janot mostra que a denúncia não tem nenhuma condição de ser admitida. Segundo ele, os delatores inventaram o encontro e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró nem conhecia Cunha.

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