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29/02/2016 23:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Como a política pode interferir (muito) na Operação Lava Jato

Montagem/Agência PT/Agência Brasil

A troca de pasta do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para o comando da Advocacia-Geral da União evidencia (mais uma vez) a fragilidade do governo da presidente Dilma Rousseff.

Em meio a crise política, aprofundada pela mais longa investigação sobre o esquema de corrupção que envolve a maior estatal do País, o ministro não conseguiu ver outra saída a não ser pedir para sair.

Ainda no primeiro mandato de Dilma, Cardozo demonstrava sinais de desgaste e confidenciava a amigos e assessores que gostaria de deixar o ministério. Sempre que o assunto surgia, a presidente deixava claro a importância do ministro e seu desejo para que permanecesse à frente da pasta.

Mas foi quando a pressão veio de correligionários e do próprio ex-presidente Lula que o ministro não se sentiu obrigado. O motivo: a “insubordinadaOperação Lava Jato.

O partido do governo que tanto se orgulha da independência da Polícia Federal não conseguiu aceitar que o ministro não tenha conseguido controlar o órgão para evitar que as investigações chegassem ao ex-presidente.

A cena foi um prato cheio para a oposição. Líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), divulgou uma nota na qual diz que os investigados (PT e Lula) querem impor uma “mordaça” aos investigadores.

A notícia não foi bem vista entre os delegados da PF, que disseram ter a recebido com “extrema preocupação”.

Em nota, a Associação Nacional dos Delegados de Policia Federal (ADPF) reitera que os delegados "defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou”.

Há um temor na categoria que o novo ministro, o ex-procurador-Geral do Estado da Bahia, Wellington César Silva e Lima, interfira no comando da PF e cerceie a independência do órgão responsável pela Lava-Jato e a Operação Zelotes.

AGU

A nomeação de Cardozo para a Advocacia-Geral da União também não foi bem vista por funcionários da pasta. Isto porque a lista tríplice para substituição de Luís Inácio Adams foi ignorada.

Tanto a Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe) quanto a Associação dos Servidores da AGU (Asagu) desejavam um nome de carreira.

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