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26/02/2016 12:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Este 'professor' ministra curso de 'cura gay', mas deveria mesmo curar a ignorância dele

Não, homossexualismo não existe. Pessoas orientadas para o mesmo sexo não sofrem de doença, como o sufixo -ismo implica. Por isso, o anúncio deste "curso" por um "professor" de Brasília causa indignação:

Claudemiro Soares se apresenta como "ex-gay", que há quase duas décadas se curou.

Tendo superado esse ~mal~, o professor que se apresenta como mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz e especialista em Políticas Públicas promete compartilhar suas lições de superação com os interessados.

Soares oferece um "curso online" para famílias e professores, segundo ele "chancelado" pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Território (MPDFT).

O tutor coleciona pérolas (!) de mau gosto no YouTube e no Facebook:

  • A Cura Gay é um direito reconhecido pela Justiça!
  • ESTUPIDEZ de "mudança de sexo" está DESGRAÇANDO a vida das pessoas que caem nesse conto MACABRO
  • O homossexualismo é pecado! Eu desenvolvi isso.

Ao jornal O Dia, o MPF negou que tenha chancelado o tal curso. O Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos do órgão está investigando esse caso.

O MPDFT também rechaçou a informação da publicidade. Em nota, informa que está apurando a legalidade dessa divulgação "que cita a instituição indevidamente":

"O Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do MPDFT não analisou ou chancelou qualquer conteúdo e não compactua com qualquer 'ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas e a adotarem ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados', conforme orientação do Conselho Federal de Psicologia. O documento foi encaminhado ao MPF, que também é citado, para que adote as providência cabíveis."

A Fundação Oswaldo Cruz também emitiu nota oficial sobre o uso do nome dela no anúncio.

Pelo Facebook, a entidade confirma que Soares obteve título de mestrado pela Fiocruz em 2010. Ressalta, porém, que a dissertação dele "nada tem a ver com a proposta de um curso sobre tratamento e cura de 'homossexualismo'":

"A Fiocruz repudia e não compactua com qualquer propaganda, ação ou conteúdo que desrespeite à diversidade e o exercício efetivo do direito à sexualidade, e reforça sua defesa em prol dos direitos e das políticas públicas voltadas à população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT)."

Enquanto Claudemiro Soares se torna alvo de investigação e de repúdio, esperamos que ele caminhe para a cura da própria ignorância.

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