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24/02/2016 12:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Aliados de Eduardo Cunha explicam os motivos para lutarem contra a cassação no Conselho de Ética (VÍDEO)

A discussão sobre a possível cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já superou todos os precedentes históricos na Casa. Citado em dois inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de corrupção, o peemedebista segue com uma ‘tropa de choque’ aguerrida no Conselho de Ética.

Estima-se que Cunha tenha atuado pessoalmente na eleição de aproximadamente 100 parlamentares nas eleições de 2014, lançando mão de seus contatos para obter doações e apoios a colegas do Congresso. Só isso ajuda a explicar tamanha fidelidade?

O portal UOL buscou ouvir alguns personagens que integram o Conselho de Ética e que não escondem de ninguém que são contra a cassação de Cunha. As justificativas são diversas, mas ajudam a entender o que há por trás de tamanha mobilização a favor do presidente da Câmara, que omitiu ter contas no exterior, em audiência no ano passado na CPI da Petrobras.

“Como quero cassar a Dilma e sei que o Eduardo é o único que pode dar encaminhamento a esse processo de cassação da Dilma aqui dentro da Casa, eu votei então pela defesa do Eduardo”- Paulinho da Força (SD-SP).

“Ouvindo o advogado de defesa de Eduardo Cunha, ele justificava que a Receita Federal não tem essa legislação que possa exigir a declaração do trust” – Wellington Roberto (PR-PB).

“Eu não enxergo ainda nenhuma forma que dê, juridicamente, uma maneira de afastá-lo da presidência (da Câmara)” – Cacá Leão (PP-BA).

“Não podemos admitir que um deputado será processado pelo Conselho de Ética por ter sido citado por um delator (...). Isso não denigre ninguém” – Ricardo Barros (PP-PR).

“Ele omitiu que era beneficiário de um trust. Essa omissão eu entendo que a pena não é a cassação do mandato” – Carlos Marun (PMDB-MS).

‘Querem acabar com o conselho’

O presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), afirmou nesta terça-feira (23) que há um movimento para “acabar com o Conselho de Ética”. Foi uma reação do parlamentar após o mandado de segurança impetrado pela defesa impetrado pela defesa de Eduardo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Pelo que estou vendo, querem acabar com o Conselho, não é me tirar não. Qualquer pessoa que tenha qualquer palavra que não seja de acordo com o que a Mesa (Diretora) quer, querem tirar. Paciência. Mas eu tenho mandato, vai ser difícil me tirar”, afirmou Araújo.

Para o advogado de Cunha, Marcelo Nobre, o presidente do Conselho de Ética está impedido de analisar o tema. “Manobra é o atropelo do Código de Ética e do regimento da Câmara. Direito de defesa não é manobra”, afirmou, em referência à questão de ordem do deputado Wellington Roberto (PR-PB) sobre a suspeição de Araújo. Até que o Conselho analise isso, Nobre pede que o processo não prossiga.

Para o relator do caso de Cunha, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), há um movimento dos aliados do peemedebista para o afastamento do presidente do colegiado, o que ajuda em outra estratégia: a de ganhar tempo e postergar a decisão e admissibilidade ou não do pedido de cassação do peemedebista.

(Com Estadão Conteúdo)

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