NOTÍCIAS
23/02/2016 12:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Samarco tem até o fim da semana para apresentar defesa ao Conar sobre propaganda de TV

Rogério Alves/TV Senado e Reprodução YouTube

A mineradora Samarco tem até o fim da semana para apresentar defesa ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) no processo que investiga a veracidade das informações contidas na peça publicitária veiculada pela empresa após o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), em novembro do ano passado.

Após receber dezenas de reclamações de consumidores sobre a veracidade das informações relacionadas à ajuda prestada pela empresa às famílias atingidas e ações de recuperação dos estragos, o Conar decidiu abrir processo para averiguar o conteúdo da campanha publicitária da Samarco, controlada pela Vale e BHP Billiton.

No comercial “É sempre bom olhar para todos os lados – Samarco histórias”, funcionários da mineradora relatam as ações que supostamente estão sendo adotadas pela mineradora e o sentimento deles, logo após a tragédia que matou 17 pessoas e deixou dois desaparecidos, além de deixar um rastro de destruição em mais de 600 km entre os Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.

A partir da apresentação da defesa, o Conselho de Ética do Conar vai nomear um relator, que ficará responsável pelo caso. De acordo com o Conar, a análise dura cerca de 40 dias. Com isso, o julgamento do caso deve ocorrer no final do mês de março. Como não houve pedido de liminar, pedindo a suspensão da peça publicitária, a campanha pode continuar sendo veiculada. Ao final do julgamento, o Conar pode decidir pelo arquivamento do caso, adequação ou sustação da veiculação.

Procurada, a Samarco não enviou resposta até a publicação da reportagem.

É muito cedo para estimar custo total da tragédia da Samarco, diz CEO da BHP

O diretor executivo da BHP Billiton, Andrew Mackenzie, disse nesta segunda-feira (22) que "é muito cedo para estimar custo total da tragédia da Samarco", em Minas Gerais, onde a companhia têm participações das operações de mineração ao lado Vale. A BHP informou prejuízo líquido de US$ 5,67 bilhões no primeiro semestre fiscal.

A BHP disse que as negociações entre as mineradores e autoridades do governo estão em curso, e têm como objetivo chegar a um acordo sobre como gerir e financiar a reabilitação social e econômica da área. De acordo com a empresa, Dean Dalla Valle, diretor comercial da BHP, seria transferido para o Brasil para supervisionar o trabalho de limpeza pela Samarco.

Nesta terça-feira (23), a mineradora cortou seu dividendo intermediário em 75%, abandonando uma antiga política de pagamentos estáveis ou maiores conforme se prepara para uma desaceleração mais longa do que o esperado nas commodities. O fim da chamada política de dividendo progressivo da BHP ocorre conforme a maior mineradora diversificada do mundo registrou prejuízo, sua primeira perda em mais de 16 anos.

Os resultados da BHP incluem um encargo após impostos de US$ 858 milhões após o desastre com a barragem da Samarco.

"Precisamos reconhecer que estamos em uma nova era, um novo mundo e precisamos de uma nova política de dividendos para lidar com isso", disse Andrew Mackenzie, em teleconferência, alertando para um período prolongado de preços mais fracos e volatilidade mais acentuada. O dividendo cortado para 0,16 dólar ficou abaixo do esperado pelo mercado, de pagamento de até 0,35 dólar. A BHP prometeu um pagamento de pelo menos 50% do lucro recorrente de agora em diante.

O lucro recorrente atribuível da empresa caiu para US$ 412 milhões ante US$ 4,89 bilhões um ano antes, abaixo da previsão de analistas de cerca de US$ 585 milhões, com a queda de preços de commodities para mínimas em vários anos.

Justiça determina bloqueio de R$ 500 mi de Samarco, Vale e BHP

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 500 milhões da Samarco e suas controladoras Vale e BHP, em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Os recursos devem garantir medidas para a recuperação do meio ambiente urbano do município mineiro de Barra Longa. A decisão é da juíza Denise Canêdo Pinto, da comarca de Ponte Nova.

Segundo o MP, o rompimento da barragem de Fundão no dia 5 de novembro de 2015 provocou a devastação total do distrito de Gesteira, e alcançou a sede do município, destruindo todos os tipos de equipamentos públicos, como obras de infraestrutura, rede de saneamento público de esgotamento sanitário e abastecimento de água, escolas, praças, edifícios públicos e campos de futebol.

A liminar, divulgada nesta segunda-feira, no site do MP de Minas, determina que Samarco, Vale e BHP Billiton apresentem, em 30 dias, os projetos básicos, estruturais e executivos para integral recuperação de todos os bens públicos e de infraestrutura danificados em Barra Longa e seus distritos. Caso contrário as empresas serão penalizadas com multa diária de R$ 500 mil. A reparação deverá ser executada em no máximo seis meses.

Foram determinadas, ainda, a elaboração e a execução de obras de contenção de todo o leito do Rio do Carmo, atingido pela onda de rejeitos da barragem, no trecho que cruza a cidade de Barra Longa. A decisão pede ainda que sejam adotadas medidas de monitoramento e alerta para pronta evacuação da população de Barra Longa na hipótese de ocorrência de novos eventos. Segundo os promotores de Justiça Thiago Fernandes de Carvalho e Bruno Guerra de Oliveira, autores da ação, o município de Barra Longa foi o mais atingido e destruído pelo desastre.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: