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23/02/2016 19:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Aliados de Cunha tentam mais uma vez inviabilizar o Conselho de Ética e criam clima de desânimo

Marcelo Camargo/ Agência Brasil

As constantes manobras do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para inviabilizar as sessões do Conselho de Ética que analisam o processo por quebra de decoro que pede a sua cassação parece surtir efeito e desanimou os integrantes que torcem pela sua queda.

Mudanças de membros titulares do Conselho de Ética e a decisão desfavorável da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), alimentaram o clima de desânimo.

Nesta terça-feira (23), o deputado Sérgio Brito (PSD-BA) renunciou à titularidade e o líder da bancada do PSD, Rogério Rosso (DF), cedeu o espaço ao suplente João Carlos Bacelar (PR-BA), aliado de Cunha.

O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), protestou durante a sessão e reclamou que Rosso não o ouviu ao conceder a vaga de titular a um deputado de outro partido.

Em poucos dias, o colegiado passou por alterações que tiram força do processo por quebra de decoro.

A entrada de João Carlos Bacelar é a terceira alteração no colegiado desde a instalação do processo. “É uma promiscuidade política que se instalou aqui no conselho”, disse Júlio Delgado (PSB-MG) “Três substituições do carnaval para cá. Olha que festa!!”, completou.

Adversário público de Cunha, Delgado, lembrou que já se passaram 113 dias em que o processo contra o peemedebista começou a tramitar e a admissibilidade da ação sequer foi votada.

Na semana passada, o deputado Wladimir Costa (SD-PA) voltou ao Conselho no lugar de Paulo Pereira da Silva (SD-SP), que havia assumido a titularidade em novembro passado quando Costa se licenciou.

Paulinho da Força, fiel aliado de Cunha, renunciou à vaga. Na mesma semana, a deputada Jozi Araújo (PTB-AP) foi indicada para a vaga de Nilton Capixaba (PTB-RO), que havia substituído o titular Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira, liminar (decisão provisória) num mandado de segurança que pedia a anulação de uma decisão do vice-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, que retarda o andamento do processo disciplinar.

Com a decisão da ministra, o despacho de Maranhão fica mantido até que o caso seja analisado pela 1ª Turma do Supremo. No fim do ano passado, o vice-presidente da Casa decidiu anular a aprovação do Conselho de Ética pela continuidade do processo contra Cunha.

Na avaliação do grupo que apoia a continuidade do processo disciplinar, ao manter válida a decisão de Maranhão, os aliados de Cunha serão encorajados a entrar com novos recursos na primeira-vice-presidência da Câmara, já que as decisões do vice costumam favorecer o peemedebista.

O próximo passo do grupo é entrar com um pedido de suspeição de Araújo na condução do processo, medida que pode afastá-lo da função. Durante a sessão desta tarde, os deputados Wellington Roberto (PR-PB) e Manoel Júnior (PMDB-PB) cobraram a análise de uma questão de ordem da presidência do Conselho que pede a suspeição de Araújo.

Para completar a onda de desânimo, o advogado Marcelo Nobre, que representa Cunha no conselho, tentou no STF impedir que José Carlos Araújo (PSD-BA) presida o colegiado.

Na tarde desta terça, a sessão foi mais uma vez adiada. Desta vez, o deputado Wellington Roberto (PR-PB), aliado de Cunha, apresentou um voto em separado no qual diz que o relatório de Rogério antecipa a punição de Cunha e precipita o processo.

Roberto defendeu que o colegiado não tem condições de fazer investigação no lugar do Judiciário e citou o processo contra o ex-deputado professor Luizinho (PT-SP), que escapou da cassação em plenário. "Foi uma injustiça típica e um atropelo político", afirmou.

Durante a discussão sobre se Wellington Roberto poderia prosseguir lendo seu relatório paralelo como vice-líder da bancada, o deputado Vinícius Gurgel (PR-AP) causou desconforto entre os colegas ao dizer que "é uma suruba isso aqui". Minutos depois, o parlamentar se desculpou e disse que não quis falar no sentido literal e sim no sentido político.

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