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22/02/2016 08:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Polícia Federal mira João Santana, marqueteiro de Lula e Dilma, na 23ª fase da Operação Lava Jato

Montagem/Ichiro Guerra/ Dilma 13 e Reprodução

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta segunda-feira (22) a 23ª fase da Operação Lava Jato. Intitulada Operação Acarajé, essa fase tem buscas em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Um dos alvos é o publicitário baiano João Santana, que foi marqueteiro das campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e da presidente Dilma Rousseff (2010 e 2014).

Segundo informações do G1, foi expedido um mandado de prisão contra Santana, mas o marqueteiro está no exterior e, por isso, não foi preso. A reportagem do HuffPost Brasil tentou contato com a assessoria de Santana, porém não obteve retorno.

Policiais federais também realizaram buscas na sede da empreiteira Odebrecht, em São Paulo. O engenheiro Zwi Skornicki, apontado como um dos operadores do esquema de corrupção, foi preso. Foi na casa dele que os agentes apreenderam um manuscrito, que teria sido escrito pela mulher e sócia de João Santana, Mônica Regina Cunha Moura, que indicaria que o marqueteiro possuiria contras não declaradas no exterior – a informação foi publicada pela revista Veja.

Os investigadores querem saber se essas contas secretas de Santana receberam recursos da Odebrecht. O inquérito investiga supostos pagamentos de R$ 7 milhões ao marqueteiro pela Odebrecht em paraísos fiscais. A Lava Jato chegou a João Santana por meio de anotações encontradas no aparelho celular de Marcelo Odebrecht, preso desde junho do ano passado, na 14ª fase da Lava Jato. Na mensagem a um executivo da empresa, Marcelo alerta: "Dizer do risco cta suíça chegar na campanha dela". A partir de então, foram instauradas investigações para rastrear contas no exterior que teriam Santana como destinatário final do dinheiro.

O nome da operação, Acarajé, faz referência ao apelido usado pelos investigados para falar sobre dinheiro.

No último sábado (20), Santana se colocou a disposição do juiz federal Sérgio Moro para prestar esclarecimentos. O documento, assinado pelo advogado Fábio Tofic, nega que o marqueteiro e a esposa tenham cometido qualquer crime em suas relações com o governo federal. Veja a íntegra:

“EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL SERGIO MORO, DA 13ª VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE CURITIBA (PR)

JOÃO CERQUEIRA DE SANTANA FILHO e MONICA REGINA CUNHA MOURA, vêm, por seus advogados (Evento 01, proc2), nos autos do procedimento em epígrafe, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, para, diante da sugestão sempre respeitável emanada deste douto juízo, se colocar à disposição desta autoridade – ou de qualquer outra envolvida nas investigações – para prestar todos os esclarecimentos necessários à descoberta da verdade.

1. Eminente Magistrado: mesmo sem ter se assenhorado integralmente da causa – que se encontra em fase meramente investigativa – e muito menos eleito algum juízo de valor sobre os fatos, algumas certezas Vossa Excelência já pode ter sobre os peticionários.

2. Fogem completamente ao perfil de investigados nesta Operação Lava-Jato. Não são nem nunca foram funcionários públicos; não são nem nunca foram empresários com contratos com o poder público; não são nem nunca foram operadores de propina ou lobistas.

3. Jornalistas e publicitários de formação, são profissionais brasileiros de renome internacional no marketing político, cada centavo que receberam na vida sendo fruto exclusivo de seu trabalho absolutamente lícito.

4. A oitiva em caráter preliminar terá o condão inclusive de evitar conclusões precipitadas e prevenir danos irreparáveis que costumam se seguir a elas, mormente porque neste caso os prejuízos extrapolariam o conturbado cenário político brasileiro, pois os peticionários estão hoje incumbidos da campanha de reeleição do Presidente DANILO MEDINA, da República Dominicana.

5. Tampouco o fato de se encontrarem atualmente em outro país, a República Dominicana, seria motivo impeditivo para o comparecimento, já que tão logo agendado o depoimento – e não havendo incompatibilidade de agenda – os peticionários se comprometem a comparecer independente de intimação pessoal, a qual poderá ser feita na pessoa do advogado subscritor.

Por todo exposto, e certos de que as informações que os peticionários têm a dar convergirão com o escopo da investigação, aguardam o chamamento para oitiva em data a ser previamente acertada com o advogado.

Termos em que,

Pedem deferimento.

São Paulo, 20 de fevereiro de 2016.

Fábio Tofic Simantob Débora Gonçalves Perez”.

No total, a 23ª fase da Lava Jato reúne 300 policiais federais. Eles devem cumprir 51 mandados, sendo 38 de busca e apreensão, dois de prisão preventiva, seis de prisão temporária e cinco de condução coercitiva. A operação foi deflagrada em março de 2014 mirando um grupo de doleiros, entre eles Alberto Youssef que delatou o esquema bilionária de corrupção na estatal petrolífera.

(Com Estadão Conteúdo)

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