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22/02/2016 14:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Alvo da Lava Jato, marqueteiro João Santana vai se apresentar à Justiça nas próximas horas ao desembarcar no Brasil, diz defesa

Reprodução/YouTube

A defesa do jornalista e publicitário João Santana e de sua mulher, Mônica Regina Cunha Moura, garantiu no fim da manhã desta segunda-feira (22) que ambos irão se apresentar à Justiça assim que desembarcarem no Brasil. Há dois mandados de prisão contra o casal, um dos alvos da 23ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada horas antes em três Estados.

Em comunicado à imprensa, a assessoria de Santana – que foi marqueteiro das campanhas eleitorais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2006) e da presidente Dilma Rousseff (2010 e 2014) – informou que o casal já agendou “o seu retorno ao Brasil, o que ocorrerá na próximas horas para se apresentar à autoridades legais”.

“Mesmo sem ter a informação oficial sobre a existência ou não de mandados de prisão, informam que, tão logo realizado o desembarque, apresentar-se-ão, imediatamente, às autoridades responsáveis pela investigação”, diz o comunicado, assinado ainda pelos advogados Fábio Tofic e Maria Jamile José.

A defesa ainda espera que o desembarque do marqueteiro “não se transforme em um odioso espetáculo público”.

Além dos mandados de prisão, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, decretou o sequestro do imóvel a pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. "Identificamos, com auxílio da Receita Federal que João Santana adquiriu um apartamento em São Paulo de R$ 3 milhões, que parecia incompatível. O valor saiu da empresa Polis", afirmou o delegado da PF Filipe Hille Pace.

Segundo ele, apesar da compra ter sido declarada em nome da Polis, foi identificado por acordo de cooperação com o Citibank em Nova Iorque, um pagamento de US$ 1 milhão para o dono do apartamento.

Evidências

Uma offshore aberta no Panamá, a Shellbill Finance SA, que seria do marqueteiro João Santana e de sua mulher e sócia Mônica Moura, é o centro das investigações da Operação Acarajé, nome dado à 23ª fase da Lava Jato. A força-tarefa encontrou evidências de que entre 25 de setembro de 2013 e 4 de novembro de 2014 o operador de propinas Zwi Skornicki - preso na Acarajé - efetuou a transferência no exterior de pelo menos US$ 4,5 milhões por meio de nove transações.

Em outra frente, a força-tarefa também rastreou pagamentos de offshores ligadas à Odebrecht para a Shellbill que totalizaram US$ 3 milhões entre 2012 e 2013.

A conta mantida no exterior pelos publicitários João Santana e Mônica Moura, profissionais então responsáveis pelo marketing da campanha eleitoral do PT "não foi declarada às autoridades brasileiras", informa o Ministério Público Federal (MPF). Acarajé era o nome usado pelos investigados dessa nova fase da Lava Jato para falar de dinheiro - da mesma forma que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto usava o termo 'pixuleco' para se referir a valores de propinas.

Estão em cumprimento 51 mandados de prisão preventiva e temporária, busca e apreensão, condução coercitiva e bloqueio de ativos, para aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro oriundo de desvios da Petrobras.

O esquema, segundo as suspeitas, se dava "por meio de pagamentos ocultos feitos no exterior pelo operador financeiro Zwi Skornicki e por offshores controladas pelo Grupo Odebrecht em favor dos publicitários João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura".

Skornicki já era investigado na Lava Jato por ser um dos operadores financeiros que pagaram propinas para funcionários do alto escalão da Petrobrás e da Sete Brasil - empresa criada pela estatal para fornecer sondas de perfuração marítima para exploração do petróleo dos campos do pré-sal -, como o ex-diretor de Serviços Renato Duque, o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco e Eduardo Musa.

"Bem como para o Partido dos Trabalhadores. Entre 2003 e 2013, pagou mais de uma dezena de milhões de dólares em propina, parte do que foi objeto de prova documental consistente em comprovantes das transferências feitas no exterior a partir de conta controlada por Zwi diretamente para contas controladas por aqueles funcionários públicos", informa a força-tarefa da Lava Jato.

Segundo os colaboradores, os pagamentos foram feitos em benefício de contratos bilionários feitos pela empresa Keppel Fels com a Petrobras e Sete Brasil.

Em nota, a Odebrecht confirma operação da Polícia Federal em seus escritórios de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, "para o cumprimento de mandados de busca e apreensão". A empresa afirma ainda que "está à disposição das autoridades para colaborar com a operação em andamento".

Santana e sua mulher sabiam de origem espúria de dinheiro, diz PF

A Polícia Federal acredita que o marqueteiro João Santana, sua mulher, Mônica Moura, além de Zwi Skornicki sabiam da origem espúria do dinheiro dos pagamentos no exterior. A informação foi divulgada na manhã desta segunda-feira (22), em coletiva da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal para explicar a nova fase da Operação Lava Jato.

Na coletiva, a PF disse esperar informações do Citibank de Nova York sobre tais transações feitas entre empresas offshore, uma delas atribuída a João Santana. A offshore controlada pelo engenheiro Zwi Skornicki também teria feito depósitos em favor de Pedro Barusco e Renato Duque, ex-funcionários da Petrobras envolvidos no escândalo.

Na coletiva, a PF disse que as investigações apontam novas provas de provável envolvimento de Marcelo Odebrecht em novos delitos, como o controle sobre os pagamentos feitos no exterior por meio de offshores. O empresário, segundo a investigação, geria as contas por intermédio pessoas a ele subordinadas e ligadas, direta ou indiretamente à empreiteira Odebrecht. Após a deflagração da Lava Jato, há indícios, segundo a força-tarefa, de que a empreiteira transferiu para o exterior funcionários envolvidos nesses esquemas, a fim de tirá-los do alcance da atuação da Justiça brasileira.

(Com Estadão Conteúdo)