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21/02/2016 10:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Haddad diz que adversários tucanos não têm mentalidade para debate político sobre São Paulo

Rovena Rosa/ Agência Brasil

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, criticou os pré-candidatos do PSDB que disputarão a prefeitura com ele nas eleições de outubro. O prefeito petista se referiu indiretamente, em especial à proposta defendida por Ricardo Trípoli de acabar com o programa Braços Abertos. O programa implementado pela gestão Haddad paga um auxílio para viciados da Cracolândia em troca de serviços prestados à comunidade, como um incentivo para tirar as pessoas do vício.

"Eles vão economizar os 15 reais de varrição da pessoa que está com dependência química? Pra quê? Pessoas que estão se recuperando de saúde, com acompanhamento médico. Olha onde está a mentalidade desse pessoal. O dinheiro desviado da merenda não é problema, mas os 15 reais do depende químico é problema", rebateu Haddad, em referência à investigação da Operação Alba Branca. A operação investiga suspeitas de desvio de recursos para merenda escolar em municípios paulistas envolvendo lideranças ligadas ao governo estadual do tucano Geraldo Alckmin - neste sábado (20), um dos ex-assessores do deputado estadual Fernando Capez (PSDB), Jéter Rodrigues, disse não achar possível que a Máfia da Merendapudesse ser um esquema sem envolvimento de políticos.

Haddad disse que vai defender sua gestão ponto a ponto, com base nos números e mostrando que promessas de campanha de 2012 foram cumpridas. Ele citou a criação de vagas de creches, de ciclovias e de faixas exclusivas para ônibus. E provocou o governo estadual de Alckmin com relação a obras do monotrilho, que demandam investimentos de grande monta e que estão paradas.

"Eles (tucanos), vêm falar mal de Paulista aberta, de ciclovia. Se juntar tudo o que gastamos, tudo que melhorou, caiu 75% a reclamação do transporte público. E esses 75% (o valor investido para tal melhoria) não dá um pilar da carcaça do monotrilho e eles vêm tirar satisfação da gente sobre política pública? O que eles entendem de cidade?", questionou o petista. "Não dá pra entender a cabeça desse pessoal, falta educação política pra essas pessoas", prosseguiu o prefeito nas críticas aos adversários.

No evento, promovido pelo PT municipal, Haddad ouviu novamente do presidente do partido, Rui Falcão, que sua reeleição é prioridade para o PT. "É uma prioridade nacional, não uma prioridade retórica", afirmou Falcão.

MP vê ilegalidade em obra de ciclovia

O Ministério Público Estadual (MPE) requereu à Justiça, em ação civil, a condenação do prefeito Fernando Haddad (PT) por improbidade administrativa na contratação da Jofege Pavimentação e Construção para ampliação da malha cicloviária da cidade de São Paulo.

A ação mira o trecho Ceagesp-Ibirapuera da ciclovia da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste, que faz parte da "Operação Urbana Consorciada Faria Lima", e tem extensão de 12,4 km. Os promotores pedem ressarcimento aos cofres públicos de R$ 54,78 milhões, custo do trecho. A Prefeitura informou que vai "aguardar o recebimento da peça" para se manifestar.

O MPE pede também a condenação do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, do ex-secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras Ricardo Teixeira, do ex-chefe de gabinete da secretaria Valter Antonio da Rocha e da Jofege Construção.

Os promotores pedem que sejam declarados integralmente nulos seis contratos, todos de 2014, e todos os eventuais e subsequentes aditamentos, prorrogações e adendos celebrados entre a Prefeitura e a Jogefe. Segundo a ação, Haddad e os outros citados escolheram "expediente manifestamente ilegal, qual seja, a utilização de Ata de Registro de Preços para a execução de obras de tal vulto". O correto, segundo os promotores, era que houvesse concorrência para definição da empresa que faria a obra.

"A construção dessa ciclovia nada mais é do que uma obra civil de engenharia, o que exige uma licitação", afirmou o promotor Marcelo Milani. Ele e Nelson Luís Sampaio subscreveram a ação. Segundo o MPE, as leis federal e municipal de licitações dispõem que o registro de preços somente pode ser usado "para compras e serviços habituais e corriqueiros, mas nunca para a realização de obras públicas". O inquérito civil que originou a ação foi instaurado em 2015 para apurar irregularidades na implementação de ciclovias.

A Prefeitura de São Paulo informou em nota que vai aguardar para se manifestar. A administração municipal também criticou o que considera um "viés político do promotor Marcelo Milani". "O promotor teve atitude semelhante na ação civil pública sobre as multas de trânsito e produziu petição tão inconsistente que o juiz mandou que ele corrigisse a peça antes de prosseguir com o pleito. O promotor acabou perdendo o pedido liminar de improbidade em relação aos agentes públicos (prefeito e secretários) e nem sequer recorreu disso. Ou seja, queria apenas atacar a Prefeitura pela imprensa."

O promotor Marcelo Milani estava designado para cuidar do inquérito sobre as irregularidades nas ciclovias até 5 de fevereiro, quando a promotora original do caso, Karyna Mori, voltaria a atuar. A ação que pede a condenação do prefeito, no entanto, foi pedida por Milani após essa data, quando ele não seria mais o responsável pelo inquérito. O promotor afirmou que existe um prazo de 30 dias após o fim da designação para "que se cumpra" com os trabalhos. "Não há ilegalidade", disse.

A Jofege Pavimentação e Construção não se manifestou.

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