LGBT
17/02/2016 12:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Secretário de Direitos Humanos do Rio desmente 'desmonte' e afirma acreditar na 'cura de homossexuais'

Montagem/Reprodução Facebook

Acusado de estar promovendo um ‘desmonte’ na Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, o pastor e deputado federal licenciado Ezequiel Teixeira desmentiu que exista alguma iniciativa sua em enfraquecer a pasta. Em entrevista ao jornal O Globo, ele foi além e reforçou algumas convicções pessoais. Uma delas é a chamada ‘cura gay’.

“Eu não creio só na cura gay, não. Creio na cura do câncer, na cura da Aids... Sabe por quê? Porque eu sou fruto de um milagre de Deus também”, afirmou Teixeira, que assumiu a secretaria no fim do ano passado e é filiado ao Partido da Mulher Brasileira (PMB). “Creio que todo mundo pode receber uma transformação, uma mudança”, emendou.

O discurso da cura gay na política teve como porta-voz principal do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), outro conhecido pastor evangélico e que trata a homossexualidade como uma doença passível de tratamento. Ele costuma promover campanhas em favor dessa 'causa pessoal'.

Voltando ao Rio, setores da secretaria e do projeto Rio Sem Homofobia estão inconformados. Quatro centro de assistência à comunidade LGBT foram fechados, quase 80 funcionários foram demitidos e, durante o Carnaval, o Disque Cidadania LGBT, ligado ao projeto, ficou inoperante. Na página do Rio Sem Homofobia no Facebook, o clima é de comoção e revolta.

Fundador da igreja evangélica Projeto Nova Vida, Teixeira atribui os problemas à crise financeira do Estado do Rio. Ao Globo, o secretário destacou que “os incomodados que se mudem” e que as suas posições pessoais “já eram conhecidas” antes dele assumir a secretaria. Para o coordenador do Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, é “incompatível” o secretário ocupar uma pasta de direitos humanos.

A questão LGBT era uma das bandeiras centrais da antecessora de Teixeira, Teresa Cristina Cosentino. “O amor é a melhor forma de combater o preconceito. Estou muito feliz por presenciar esse momento. Parabéns para todos e todas”, disse ela em dezembro de 2015, semanas antes de deixar a secretaria, durante a maior cerimônia coletiva de casamento homoafetivo do mundo, quando 185 casais de todo o Rio selaram as suas uniões.

Esse evento LGBT é um dos mais criticados por Teixeira, que questiona o gasto de R$ 228 mil com a cerimônia. Apesar disso, ele garante respeitar todas as opiniões e posições, inclusive às contrárias as dele. Em sua campanha vitoriosa para a eleição como deputado federal, Teixeira divulgou ser contra a adoção de crianças por casais homoafetivos.

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