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16/02/2016 14:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Assim como Beyoncé no Super Bowl, Kendrick Lamar faz história com performance engajada no Grammy 2016

Kendrick Lamar's performance blew the audience away at the #Grammys.

Publicado por Mashable - Entertainment em Segunda, 15 de fevereiro de 2016

Se Beyoncé fez história no Super Bowl com sua performance engajada de Formation em prol da igualdade racial, Kendrick Lammar não ficou para trás na noite desta segunda-feira (14), no Grammy 2016.

Batendo na mesma tecla que a musa do pop, o rapper incendiou (literalmente) o palco da premiação com as versões ao vivo de The Blacker The Berry e Alright, do álbum To Pimp a Butterfly.

Maior vencedor da noite (levando 5 prêmios de 11 indicações), Kendrick colocou em destaque um retrato cru da sociedade americana na maior premiação da indústria fonográfica - exaltando as raízes afro dos EUA e expondo os problemas que a população negra sofre no País atualmente.

No vídeo que você confere no player acima, Kendrick chega ao palco acorrentado, na companhia de outros prisioneiros negros. Com um som que combina rap, soul e jazz, ele dá uma amostra do porquê seu álbum foi ali recordista de indicações.

Na sequência, ocorre uma explosão fúria, fogo e cores.

Trajes e pinturas corporais típicos da África entam em cena na performance que termina com uma projeção do continente negro transformando-se em Compton, cidade natal do artista, situada no distrito de Los Angeles e conhecida como um dos berços do hip-hop.

Dedo nas feridas

Escravidão nos campos de algodão, os desafios que um garoto pobre de Compton enfrenta para ter uma vida digna e honesta, racismo, a violência policial contra os negros e a estrutura histórica de governo americano que amplia a violência nas periferias são alguns temas que o rapper trata no álbum To Pimp a Butterfly.

Repleto de ironias refinadas, poesia, metáforas e técnica bem particulares, o álbum de Kendrick olha com afeto para Compton e põe foco em temas urgentes ao mesmo tempo em que a comunidade negra dos EUA se organiza e faz barulho.

O movimento Black Lives Matter (A Vida dos Negros Importa, em tradução livre), que é citado por Beyoncé em seu Formartion, tem reunido a população em protestos contra a violência policial em todo o País.

Talvez estejam aí os ingredientes que tornam a performance de Kendrick não só histórica como inspiradora para essa geração.

Colocando todas essas nuances em perspectiva, a derrota de To Pimp a Butterfly como Álbum do Ano para 1989, de Taylor Swift, pode ser considerada, no mínimo, como lamentável.

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