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11/02/2016 22:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Por que o Brasil realmente está vivendo com zika uma 'tragédia sanitária'

Edilson Rodrigues/Agência Senado

O surto do zika vírus evidenciou uma triste realidade: o Brasil vive uma “tragédia sanitária”. A constatação é da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que reúne médicos sanitaristas e faz parte do Conselho Nacional de Saúde.

Em um alerta, a Abrasco mostra que as condições de saneamento básico brasileiras ainda estão longe do ideal. No entendimento da associação, se o mínimo tivesse sido feito, o mosquito Aedes aeypti não teria se proliferado.

O mesmo argumento é encampado pelo Instituto Trata Brasil. As duas organizações citam praticamente os mesmos motivos para explicar o momento sanitário que o País vive.

Dificuldade de acesso contínuo a água

Abrir a torneira sem a certeza de que vai ter água leva cerca de 35 milhões brasileiros a ter de armazenar água. Essa prática, segundo a Abrasco, quando feita de modo inadequado, é uma condição muito favorável para a reprodução do mosquito, que ocorre em água parada.

Ao Roda Vida, o ex-presidente da associação e integrante do Observatório de Inovação e Competitividade da USP, José Cavalheiro, ressaltou que eliminar os criadouros do mosquito implica na efetividade do abastecimento regular de água em todo o Brasil.

Coleta de lixo precária e falta de esgotamento sanitário

Além do abastecimento regular, Cavalheiro destaca que também é preciso dar destino correto para os resíduos sólidos, que também beneficiam a reprodução do mosquito.

Segundo o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, é fundamental que se corrija a afirmação de que o mosquito só se reproduz em água parada.

“Não é só a casa do vizinho, o quintal, o terreno ao lado, epidemiologistas já dizem que o mosquito também coloca ovos em água suja, como a de esgoto e lixões a céu aberto."

No Brasil, só 48,6% da população tem acesso à coleta de esgoto e apenas 39% deles são tratados.

Descuido com a higiene de espaços públicos

Carlos acrescenta que o foco tem sido muito no cidadão, mas é que é necessário ter atenção ao conjunto.

“Pouca gente olha a cidade como um todo. O Brasil é muito carente nisso. Só agora estão dando mais atenção ao saneamento básico de forma geral. Não é só a casa das pessoas, mas também na infraestrutura que cabe aos prefeitos, governadores. Sem isso, temos um combate parcial ao problema."

Tanto a Abrasco quanto o Trata Brasil destacam que não é só o zika, a dengue ou a febre chikungunya, mas diarréia, hepatite e amebíase também são resultado das condições das cidades.

A expectativa é que o governo aproveite o momento de crise para focar em ações de longo prazo, que beneficiem a vida dos cidadãos. O Trata Brasil ressalta que a cada R$ 1 investido em saneamento gera uma economia de R$ 4 na saúde pública.

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