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04/02/2016 09:46 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Lava Jato: 'É um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio', relata delator

Lula Marques/Agência PT

O empresário Fernando Moura, ligado ao PT, afirmou nesta quarta-feira (3) que logo após a eleição presidencial de 2002, vencida por Lula, foi feita uma reunião para discutir as nomeações para cargos em diretorias de autarquias e empresas públicas estratégicas da administração. Segundo ele, uma das diretorias era a de Furnas, apontada como cota do senador Aécio Neves (PSDB).

"Quando acabou a eleição de 2002, ganhamos a eleição, foi feita uma reunião para definição de mais ou menos umas cinco diretorias de estatais para poder ajudar a nível de campanha, posteriormente, o que seria interessante na nomeação das pessoas", relatou Moura, em novo depoimento ao juiz federal Sérgio Moro.

Delator e réu confesso do esquema de propinas instalado na Petrobras, Fernando Moura teve que ficar outra vez frente a frente com o juiz da Operação Lava Jato porque admitiu ter mentido anteriormente. Em sua delação premiada, ele disse que José Dirceu orientou-o a 'fugir do País', em 2005, quando estava no auge o escândalo do Mensalão.

Ouvido uma primeira vez por Sérgio Moro, ele disse que não recebeu a orientação do ex-ministro chefe da Casa Civil. Diante de procuradores da República, na semana passada, disse que mentiu para o magistrado porque havia sofrido 'ameaça velada'. Nesta quarta-feira, recebeu uma chance para contar a verdade e não perder os benefícios da colaboração.

"Foi conversado sobre Petrobras, Correios, Caixa Econômica Federal, Furnas, Banco do Brasil, essas diretorias", declarou. Segundo ele, os indicados para as diretorias deveriam ter 20 anos de casa, 'tinha que ser funcionário da casa para poder receber essa indicação'. A reunião ocorreu novembro de 2002.

"Nessa relação foi indicado o nome do Renato Duque para a Petrobras, foi indicado o nome do sr. Eduardo Medeiros para os Correios. A princípio levei pro Zé (Dirceu) o nome do Dimas Toledo, que continuasse na diretoria de Furnas. Ele (Dirceu) usou até uma expressão comigo. 'O Dimas não, porque se o Dimas entrar em Furnas até como porteiro vai mandar em Furnas, está lá há 4 anos, é uma indicação que sempre foi do Aécio'. Passado um mês e meio ele (Dirceu) me chamou e falou qual a sua relação com Dimas Toledo?' Eu falei, estive com ele três vezes, achei ele competente, cara profissional. O Zé me disse. "Porque esse foi o único cargo que o Aécio pediu pro Lula, então, você vai lá conversar com Dimas e diga que a gente vai apoiar a indicação dele."

Fernando Moura disse que 'foi conversar com o Dimas'. "Na oportunidade, ele (Dimas) me colocou, da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou 'vocês nem precisam aparecer aqui, vocês vão ficar é um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio."

PSDB rebate delator

Em nota divulgada nesta quarta-feira, após a notícia sobre o teor da delação de Moura, o PSDB chamou de 'absurda' a alegação envolvendo o nome de Aécio Neves. "O PSDB jamais fez qualquer indicação para o governo do PT", diz trecho do comunicado, cuja íntegra segue abaixo:

"Esta declaração requentada e absurda repete uma vez mais a velha tentativa de vincular o PSDB aos crimes cometidos no governo petista. O PSDB jamais fez qualquer indicação para o governo do PT. O senador Aécio Neves não conhece o lobista, réu confesso de diversos crimes, e tomará todas as providências cabíveis para desmontar mais essa sórdida tentativa de ligar lideranças da oposição aos escândalos investigados pela Operação Lava Jato".

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