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18/01/2016 00:26 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

A disputa interna do PMDB que pode implodir a política nacional

Montagem/Agência Brasil

O ano mal tinha começado e os peemedebistas já marcavam encontros para decidir a disputa pela sucessão na liderança do partido na Câmara dos Deputados. E assim tem sido nas últimas semanas. Reuniões seguidas, com direito a peemedebistas em Brasília em pleno recesso e visitas sistemáticas ao vice-presidente, Michel Temer.

A estratégia dos parlamentares movimenta não só a Câmara e o Palácio do Jaburu, mas também tem causado preocupação ao Palácio do Planalto. A dor de cabeça é explicada por um ministro palaciano com simplicidade: “é uma batalha contra o governo. Se os oposicionistas ganham, é como se o governo fosse derrotado”.

Até a nomeação de quem ocupará o lugar do ex-ministro Eliseu Padilha na Secretaria de Aviação Civil entrou na batalha. Com a bancada mineira, de oposição ao governo, dividida, o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) foi sondado, na esperança da recondução do líder Leonardo Picciani (PMDB-RJ), considerado governista.

O PMDB de Minas ainda não fechou candidato para a disputa e os articuladores não chegaram a um consenso sobre a melhor maneira de fazer a eleição. Entre os candidatos mineiros estão Leonardo Quintão, que foi líder por uma semana no ano passado, e Newton Cardoso Jr.

Mas por que essa disputa é tão importante?

De acordo com o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos entusiastas por uma liderança de oposição, o cargo ocupado hoje por Picciani é mais desejado que um ministério pelo impacto político que ele tem.

“[O PMDB] É o maior partido da Câmara. Nossos votos são decisivos, não podemos ter um líder alinhado com o governo, temos que ter alguém em sintonia com o partido.”

Além de orientar a bancada nas votações, o PMDB de oposição tem um plano. A ideia é avançar no projeto chamado Ponte para o Futuro, o qual faz críticas ao governo e, entre outros, propõe mudança na previdência e a desindexação dos recursos da saúde e educação.

A expectativa de integrantes do partido é que o projeto decole e vire uma marca. Uma marca que pode ser uma ponte para o futuro de um projeto de poder do PMDB não mais como coadjuvante no Executivo, mas como protagonista.

Entre os governistas, o temor de ter um PMDB de oposição está ligado principalmente a dois fatores: impeachment e ajuste fiscal.

Aliados da presidente lembram que o partido tem o maior espaço na Esplanada e, ainda assim, é infiel nas votações, mesmo com Picciani como líder.

O temor é que os projetos considerados pelo governo essenciais para a retomada da economia não decolem e a comissão para decidir o futuro do impeachment seja dominada por parlamentares que querem a saída da presidente do comando do País.

Como neste momento cada voto importa, o sonho do governo de ver o impeachment enterrado ainda na Câmara se tornaria mais distante de ser realizado — caso um peemedebista de oposição se tornasse líder na Casa.

A permanência de Picciani tem ainda outro significado simbólico: além de vitória do governo, pode ser interpretada como uma derrota para Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara que pode ser cassado pelo Conselho de Ética por quebra de decoro.

Sem interferir publicamente, Cunha tem atuado para a destituição do atual líder. Em coletiva na última terça-feira (13), ele chegou a alfinetar:

"A liderança do PMDB não pode se transformar em um assessor do governo ou alguém que o represente. Não pode ser nem de governo, nem de oposição. Tem que representar a bancada. O que está acontecendo é que a bancada desuniu. É preciso que a bancada se una de novo [com] alguém que tenha condições de compor a bancada de novo.”

Ao lado de Cunha, mas de forma mais discreta, o vice Michel Temer também tem articulado para tirar Picciani do cargo. No fim do ano passado, o vice ajudou a destituir Picciani, com apoio na elaboração de uma lista com assinatura de mais da metade dos deputados da bancada apresentada à secretaria-geral da Casa, pedindo a troca de líder.

Está em jogo o controle sobre a maior bancada e o maior "aliado" do governo.

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