LGBT
04/01/2016 11:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

A luta de refugiados que pedem asilo por sua orientação sexual

Comunidade LGBT sofre abuso verbal, físico e sexual grave durante a infância e adolescência e, em sua maioria, individuos não contam com nenhum apoio ou recurso disponível

Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) migrantes que obtiveram refúgio ou asilo nos Estados Unidos ou no Canadá relatam abuso por parte de cuidadores, pais, colegas e funcionários da escola no seu país de origem, como relata um estudo da Universidade de Rutgers, publicado no Child Abuse & Neglet.

A pesquisa entrevistou 26 com indivíduos que obtiveram o estatuto de refugiado com base na orientação sexual. Os participantes vieram de Barbados, Belarus, Jamaica, Irã, Quênia, Kosovo, Malásia, Nicarágua, Nigéria, Peru, Rússia, Coréia do Sul, Trinidad, Uganda, Ucrânia e Venezuela.

Este é o primeiro estudo empírico que explora experiências de abuso de imigrantes que fugiram da perseguição em seus países por conta da orientação sexual ou identidade de gênero.

No geral, o trabalho apoia conclusões de levantamentos anteriores. A maioria das pesquisas aponta que crianças e jovens LGBT têm mais chance de passar por abusos que contribuem para problemas mentais.

Entre eles, a depressão, a ansiedade e o estresse pós-traumático, bem como pensamentos suicidas e tentativas de suicídio. Os resultados indicam que os participantes experimentaram abuso verbal, físico e sexual grave e prolongado durante a infância e adolescência e que o abuso ocorreu em casa, na escola e na comunidade. Além disso, houve pouco ou nenhum recurso de apoio ou proteção disponível.

Desde cedo, segundo a pesquisa, jovens observam reações negativas dos pais e familiares por sua maneira de falar e de vestir, sua escolha de atividades recreativas, amigos e parceiros sexuais. Essas transgressões, segundo o estudo, são uma constante fonte de conflito entre cuidadores.

“Em 75 países, o amor gay é um crime. Em dez, a penalidade é a morte”, denuncia cartaz de ativista. Crédito: Patrik Nygren/Creative Commons

O estudo relata que, em comparação com o que já se sabe sobre a juventude LGBT nos Estados Unidos, crianças e jovens nesses países têm menos apoio, o que afeta sua resiliência. Além disso, por conta de leis e políticas, eles são obrigados a mudar de país.

Mais um achado é a tentativa dos familiares de “mudar” esses jovens. Ao entrarem na puberdade, é comum que membros da família tenham estratégias para impor comportamentos. Nos relatos, era frequente que os participantes fossem obrigados a orar, ler a Bíblia ou se reunir com membros do clero a fim de “curá-los”.

Os participantes também descreveram abusos por parte de colegas, professores e administradores escolares. Todos, com exceção de quatro, relataram abusos por parte de colegas e/ou funcionários da escola após serem percebidos como gays ou lésbicas.

O abuso geralmente começa na escola primária e vai até o ensino médio. Alguns chegaram a ser transferidos de escola. Outros, eventualmente, tiveram que sair da escola porque o abuso foi considerado muito grave.

A falta de apoio é muito comum. Segundo o artigo, muitos pais acreditam que os participantes eram os responsáveis pelo abuso. Ainda, todos descreveram experiências de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático antes da migração.

Evidências preliminares deste estudo sugerem que a exposição repetida a eventos traumáticos na infância e na adolescência pode levar a população LGBT a desenvolver problemas de saúde mental graves, incluindo síndromes complexas e traumas. A expectativa é de que esse estudo contribua para políticas internacionais que ajudem a proteger esses jovens em condição especial de migração.

Apesar do quadro sombrio da vida antes da migração, o estudo relata que os participantes também manifestaram níveis extraordinários de resiliência.

“Para lidar com suas situações durante a infância e da adolescência, muitos ficaram imersos em seus estudos e, portanto, se destacaram academicamente. Além disso, a busca de refúgio ou de asilo deve ser considerada um ato de resistência por si só”, escreveram os autores.

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