MULHERES
31/12/2015 18:04 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

38 fatos mostram que 2015 foi 'o' ano das mulheres

Se por um lado este ano não vai deixar saudades para alguns, é preciso reconhecer: 2015 foi o ano em que as mulheres e o movimento feminista ganharam protagonismo e muita força.

O ano no Brasil começou com a aprovação da Lei do Feminicídio pela presidente Dilma e não houve um único mês em que as mulheres não ocupassem o noticiário nacional e internacional.

Nunca se falou tanto sobre feminismo, cultura do estupro, questões de gênero e todas as formas de violência contra a mulher no Brasil e no mundo. E ainda há muito o que falar e lutar para que os direitos das mulheres cresça.

Por isso, selecionamos 37 acontecimentos de 2015 que mostram que este foi um ano especial para as mulheres (e que mostram que em 2016 esta força vai aumentar):

1. No Oscar, a exposição do machismo em Hollywood

A representatividade feminina no Oscar 2015 não ganhou destaque nas indicações, mas, sim, na internet.

Atrizes famosas, como Reese Witherspoon, Cate Blanchett, Julianne Moore, Amy Poehler e Emma Stone se mostraram cansadas de serem tratadas apenas como ~uma mulher em um vestido~ nos tapetes vermelhos, levantaram a voz contra o machismo com a hashtag #AskHerMore (#PergunteMaisaEla, em tradução livre).

Já quando o assunto foram as premiações, a atriz Patricia Arquette, de 46 anos, ficou com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance em Boyhood - Da infância à juventude, do diretor Richard Linklater, e resolveu usar o seu tempo no palco não só para agradecer, mas para deixar claro a todos que Hollywood precisa se voltar para a igualdade. Ela disse:

"A todas as mulheres que deram à luz neste país, a todos que pagam impostos, nós temos que lutar por direitos iguais para todos. Está na hora de termos salários iguais de uma vez por todas e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos"

E foi aplaudida de pé.

2. Lei do Feminicídio é sancionada no Brasil

A presidente Dilma Rousseff sancionou, em março, a 'Lei do Feminicídio', que transforma o assassinato de mulheres como crime hediondo. A medida classifica como homicídio qualificado aquele em que a mulher é assassinada por questões de gênero, e prevê penas mais severas (12 a 30 anos de pena) do que o homicídio simples (de 6 a 20 anos). O Brasil está entre os países com maior índice de assassinatos de mulheres no mundo, ocupando a sétima posição em um ranking com 84 países.

3. Não tiramos o batom vermelho!

Em 2015 conhecemos e aprendemos muito com Julia Tolezano, a vlogueira Jout Jout Prazer, de 24 anos. Com vídeos divertidos, ela fala sobre diversos assuntos, mas o que mais chamou a atenção até agora foi o com o título de "Não tira o batom vermelho".

No vídeo, Jout Jout conta que uma amiga foi censurada pelo namorado ao usar um batom vermelho. Na ocasião, ele alegou que o batom a deixava com "cara de puta". Ela explica no vídeo uma série de características problemáticas que caracterizam um relacionamento abusivo.

Por causa da repercussão do vídeo, a hashtag #nãotiraobatom vermelho viralizou nas redes sociais e milhares de mulheres compartilharam histórias e aprenderam, de certa forma, a identificar o que é um relacionamento abusivo e a se defender de um.

4. A Skol precisou mudar o jeito de fazer propaganda

A Skol lançou uma campanha de Carnaval com outdoors nas ruas de São Paulo. Em um deles, a frase: "Esqueci o 'não' em casa."

Pri Ferrari, publicitária e ilustradora, e Mila Alves, jornalista, não curtiram a mensagem e decidiram fazer uma intervenção corrigindo a ideia sexista de "perda de controle", que viralizou e obrigou a marca a mudar seus anúncios. Vitória das mulheres!

5. "A" Thor vendeu muito mais do que "O" Thor

A surra que o personagem Thor, na versão feminina, deu no machismo não foi só literal, mas também financeira. A personagem da Marvel desbancou sua versão masculina nas vendas: apenas em edições impressas, os primeiros cinco números superaram em quase 20 mil unidades as vendas dos primeiros cinco números de Thor quando a personagem era homem.

6. Monica Lewinsky, ciberbullyng e o machismo

"Quando eu tinha 22 anos, me apaixonei pelo meu chefe. Aos 24, tive de lidar com as consequências devastadoras". Foi assim o início da fala de Monica Lewinsky no TED Talk que fez em 2015. Lewinsky foi a primeira personagem a "quebrar a internet", antes que esta expressão tivesse surgido.

Agora, aos 41 anos, ela veio a público e descreveu o impacto definitivo que a internet teve em sua própria história. O nome de sua palestra no TED 2015? "O preço da vergonha".

"Do dia para a noite, eu fui transformada de uma figura completamente privada para alguém publicamente humilhada em escala mundial", disse. "Este escândalo chegou a vocês por causa da revolução digital". Assista ao vídeo aqui.

7. Bruce? Não, Caitlyn Jenner!

Aos 65 anos, o ex-atleta e padrasto de Kim Kardashian, Bruce Jenner ficou sob os olhares da mídia internacional, quando, em abril deste, durante uma entrevista para a TV americana, revelou que é uma mulher e que a partir de agora viverá como tal.

"Sempre me senti muito confuso com minha identidade de gênero. Meu cérebro é mais feminino que masculino. As pessoas custam a entender isso, mas minha alma é assim. Para todos os efeitos e os propósitos, sou uma mulher", declarou.

Em entrevista para a Vanity Fair, ele narrou tensões, traumas, e coragem que formou a mulher que Caitlyn é hoje. Emocionada, ela disse: "se eu estivesse deitado em meu leito de morte e tivesse guardado esse segredo e nunca tivesse feito nada sobre isso, eu estaria mentindo lá dizendo: 'você apenas desperdiçou sua vida inteira'."

8. Bill Cosby e mais de 50 denúncias de estupro

Conhecido por interpretar um típico pai de família em uma série de TV nos anos 80, o ator Bill Cosby é o centro de um escândalo envolvendo dezenas de denúncias de estupros. Entre elas, a modelo internacional Janice Dickinson. O ator já tinha sido denunciado por violência sexual em 2004 por outra mulher, Andrea Constand, mas sem nenhuma condenação por falta de provas.

Atualmente, mais de 46 mulheres acusam o comediante de estupro e cerca de 35 mulheres apareceram em uma capa da New York Magazine revelando detalhes dos crimes que acusam o comediante. Todas contaram como conheceram o humorista e como foram supostamente drogadas e violentadas por ele. Leia mais sobre aqui.

9. "A Filha da Índia" e a luta pelo fim da violência

Em dezembro de 2012, o estupro coletivo de uma jovem mobilizou a Índia e chocou o mundo. A estudante de medicina Jyoti Singh, de 23 anos, voltava do cinema com um amigo por volta de 20h30 em Nova Déli, quando foi espancada, mutilada e estuprada por seis homens dentro de um ônibus. Singh morreu duas semanas depois, em um hospital de Singapura, pedindo desculpas à família por "causar transtornos".

Leslee Udwin, documentarista britânica de 58 anos, passou os últimos dois anos e meio entrevistando os envolvidos no crime — condenados, seus advogados, a família dos estupradores e familiares da vítima. Indian's Daughter (A Filha da Índia) foi lançado em março deste ano, exibido em vários países, incluindo o Brasil, mas banido na Índia.

10. Drone é usado para enviar pílulas abortivas

A ONG pró-aborto Women on Waves anunciou em 2015 que vai começar a enviar comprimidos de mifepristona e misoprostol por meio de drones. Desde 1999, a organização holandesa chefiada pela médica Rebecca Gomperts utiliza navios para levar mulheres de países onde o aborto é crime para águas internacionais, onde é possível realizar o aborto medicamentoso de forma legal. Agora, a estratégia é chegar a essas mulheres pelo ar. O primeiro país a receber comprimidos foi a Polônia.

11. A fundação do #partidA

A filósofa, professora e artista plástica gaúcha Márcia Tiburi acredita que o feminismo tem muito a ensinar à sociedade e á política brasileira. Por isso, criou o #partidA, um partido político exclusivamente feminista. Ela explicou ao site São Paulo São:

"O que a #partidA quer é empoderar mulheres para sua participação na política institucional. Seremos um partido político para isso, ainda que esteja em aberto a discussão sobre o sentido disso", disse.

Ou seja, um novo ponto de "partida" para fazer política. Em texto de sua coluna da revista Cult, ela explica detalhadamente a ideia.

12. #HeforShe chegou no Brasil

“Se não eu, quem? Se não agora, quando?”. Estes questionamentos fazem parte da campanha mundial #HeForShe, que chegou ao Brasil em 2015, como #ElesPorElas, da ONU Mulheres, em parceria com o canal GNT.

A ideia é contribuir com a conscientização e o empoderamento das mulheres no mundo, além de promover a igualdade de gênero e incluir os homens neste debate, para traçar um caminho mais próspero para a eliminação das desigualdades entre homens e mulheres em sociedade.

13. Unidas contra o fim do assédio no metrô

A cada dois dias, uma mulher registra um boletim de ocorrência por assédio na Companhia do Metropolitano (Metrô) e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Dois em cada três casos (69%) ocorreram nos horários de pico.

E se em vez de bobagens favoráveis ao "xaveco" as propagandas no metrô de São Paulo fossem uma campanha contra o abuso sexual? Foi isso o que aconteceu em 2015.

E as responsáveis são Nana Soares e Ana Carolina Nunes, que se cansaram de ver casos de assédio ou abuso se multiplicarem nos vagões e entraram em contato com o metrô para difundir uma campanha ampla contra o assédio. Leia mais aqui.

14. Biblioteca com espaço dedicado ao feminismo

A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, inaugurou no último sábado (4) a primeira Sala Temática Feminista, que fica na Biblioteca Cora Coralina, no bairro de Guaianases, zona leste da capital paulista.

O espaço reúne um acervo de mil títulos para consultas, estudos e pesquisas. O objetivo é também consolidar a sala como um ponto de referência cultural na discussão de gênero e feminismo de São Paulo, a partir de uma programação cultural continuada, com atividades de cinema, música, teatro, literatura, além de rodas de conversa e oficinas.

15. Ela é trans!

Maria Clara Araújo, de 19 anos, é a primeira garota-propaganda trans do Brasil que, em parceria Lola Cosmetics, pode começar a transformar a forma como essas mulheres são vistas e representadas em diversas áreas sociais.

Lançada em setembro, a coleção Oh!Maria segue o ideal da marca de cosméticos, que é criar produtos para todos os públicos.

“Tê-la como a garota-propaganda da nossa marca dá chance para que outras meninas trans percebam que têm o direito de ser o que bem entenderem”, disse a assessoria de imprensa da marca em comunicado.

16. “Vamos Juntas?”

"Agora, sempre que nós nos encontramos, vamos juntas". <3

Posted by Vamos juntas? on Quinta, 6 de agosto de 2015

"Na próxima vez que estiver em uma situação de risco, observe: do seu lado pode estar outra mulher passando pela mesma insegurança. Que tal irem juntas?" Dessa ideia extremamente simples é que nasceu o movimento Vamos juntas?, criado pela jornalista Babi Souza.

Na prática, o movimento propõe duas ideias:

1) a de que mulheres que não se conhecem possam se unir para criar um elo de proteção mútua quando andam na rua; 2) a de que mulheres que se conhecem e que costumam percorrer trajetos semelhantes (para o trabalho, faculdade, ponto de ônibus etc) se organizem para andar juntas. A palavra de ordem é: sororidade.

17. Revista ELLE coloca uma mulher gorda e uma negra na capa

2015 é, definitivamente, o ano das mulheres. E não é de hoje que as revistas femininas sentiram a necessidade de começar a mudar o seu discurso. E as capas mais recentes da ELLE Brasil são a prova de que uma transformação, mesmo que pequena, está acontecendo: primeiro, uma gorda empoderada e um espelho. Em segundo, uma mulher comum, e não uma modelo. E por fim, a revista escolheu uma negra para estampar a edição de dezembro, que é especial sobre feminismo.

18. Vai ter peito de fora sim!

Em abril, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), sancionou lei da prevê multa de R$ 500 para quem impedir a amamentação em público - em caso de reincidência, a multa terá valor dobrado.

O projeto é de autoria dos vereadores Aurélio Nomura (PSDB), Edir Sales (PSD) e Patrícia Bezerra (PSDB) e teve origem a partir da notícia de um “mamaço” realizado no Sesc Belenzinho em 17 de novembro de 2013, após a turismóloga Geovanna Cleres, de 35 anos, ter sido proibida de amamentar em público no local dias antes.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), sancionou no dia 5 de dezembro a lei 16.047, que assegura à criança o direito ao aleitamento materno em estabelecimentos de uso coletivo, públicos ou privados.

O estado do Rio de Janeiro é o segundo no país a garantir o direito à amamentação em estabelecimentos de atendimento ao público, com a Lei Nº 7.115, publicada no dia 25 de novembro de 2015 no Diário Oficial do estado.

A legislação impede que estabelecimentos como bares, lojas ou restaurantes proíbam a amamentação, sob pena de multa, que pode ir de R$ 1,3 mil a R$ 2,7 mil, em caso de reincidência.

19. “Mulheres inspiradoras" no Calendário Pirelli

Desde 1964, a Pirelli faz o clássico calendário e destaca mulheres (modelos, em sua maioria) que atendem ao padrão de beleza vigente com muito pouca roupa -- além de disponibiliza-lo para um número muito restrito de pessoas. Mas, em 2015, o calendário ícônico quebrou este padrão e impressionou.

A responsável por esta "revolução" foi a fotógrafa Annie Leibovitz. Desta vez, ela trouxe mulheres influentes -- não apenas aquelas que são valorizadas em uma passarela ou por ter um corpo magro e esguio.

Yoko Ono, Patti Smith, Serena Williams, Fran Lebowitz, Amy Schumer (foto acima), Tavi Gevinson, Ava DuVernay, Natalia Vodianova, Agnes Gund, Kathleen Kennedy, Mellody Hobson, Shirin Neshat e Yao Chen são alguns dos nomes que estão na lista.

20. Viola Davis e o discurso incrível no Emmy

Viola Davis fez história em 2015. Ela se tornou a primeira mulher negra da história a ganhar um Emmy de melhor atriz na categoria dramática por How To Get Away With Muder.

Viola Davis concorreu com Taraji P. Henson, de Empire, que também é negra, e Claire Danes, de Homeland, Tatiana Maslany, de Orphan Black, Elizabeth Moss de Mad Men e Robin Right de House of Cards.

Na história dos 67 anos do Emmy Awards somente atrizes brancas levaram este prêmio. Mulheres negras só tinham ganhado em categorias de comédia e minissérie, por exemplo. Assista ao discurso emocionante da atriz clicando aqui.

21. Mapear o assédio ficou mais fácil!

Catharina Doria, de 17 anos, teve uma ideia que ganhou a internet em 2015. Com o intuito de mapear casos de assédio nas ruas, ela criou o aplicativo "Sai Pra Lá", que lembra em muitos aspectos o "Mapa Colaborativo" da campanha "Chega de Fiu Fiu", do coletivo Think Olga.

Em menos de dois dias, o aplicativo alcançou mais de 12 mil fãs em sua página no Facebook e 2126 registros. A grande sacada foi transformá-lo em uma ferramenta de fácil e rápido acesso. A mulher sofre o assédio, abre o aplicativo e, com alguns poucos cliques, consegue denunciar e conhecer pontos onde outros casos estão acontecendo.

22. #PrimeiroAssédio e a da cultura do estupro no Brasil

A estreia do programa MasterChef Júnior na Band não ficou marcada pelo talento dos participantes, mas sim, pelos comentários com teor sexual direcionados a Valentina, uma das participantes do reality, de apenas 12 anos.

Durante o programa, comentários como "se tiver consentimento é pedofilia?", "com doze anos ela vai virar secretaria de filme pornô", "a culpa da pedofilia é dessa molecada gostosa", "essa Valentina fazendo esses pratos: que vagabunda!" foram feitos no Twitter, em sua maioria, por homens, direcionados à participante.

Assim que o caso ganhou as redes sociais, o coletivo feminista Think Olga, que luta contra o assédio em espaços públicos e outros tipos de violência contra a mulher, lançou a hashtag #PrimeiroAssédio no Twitter, incentivando mulheres a contar qual foi a primeira vez em que foram assediadas -- e expor um problema que, de tão enraizado, é entendido como "brincadeira" ou "normal".

23. Enem feminista <3

Com uma questão que citou a estudiosa francesa Simone de Beauvoir na prova de ciências humanas e uma redação com o tema "A persistência da violência contra a mulher", o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 foi chamado nas redes sociais de "Enem feminista".

E não é para menos.

Com a questão debatendo gênero e o tema da redação sobre violência contra a mulher no Brasil, mas de 7 milhões de jovens brasileiros inscritos no exame refletiram sobre a questão, que é urgente no país e de extrema importância para quebrar o ciclo de violência e opressão fruto do machismo e do patriarcado.

Além disso, o exame também citou temas que trouxe nome de outros especialistas e pensadores como Paulo Freire, Gloria Anzaldúa, Agostinho Neto e Slavoj Zizek.

24. Lei Maria da Penha vale para mulheres trans, sim!

A 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou que medidas previstas na Lei Maria da Penha sejam aplicadas em favor de uma transexual ameaçada pelo ex-companheiro. O pedido foi negado pelo juiz de primeiro grau, sob justificativa de que a vítima pertencia biologicamente ao sexo masculino, fora do campo de ação da Lei.

Na segunda instância, a desembargadora Ely Amioka, relatora do caso, considerou que a lei deve ser interpretada de forma ampla, sem ferir o princípio da dignidade da pessoa humana. Ela disse:

“A expressão 'mulher', contida na lei em apreço, refere-se tanto ao sexo feminino quanto ao gênero feminino. O primeiro diz respeito às características biológicas do ser humano, dentre as quais a impetrante não se enquadra, enquanto o segundo se refere à construção social de cada indivíduo, e aqui a impetrante pode ser considerada mulher”.

Segundo a decisão, o homem não poderá se aproximar nem entrar em contato com a vítima, seus familiares e testemunhas do processo. Leia mais aqui.

25. Bolsonaro condenado por insultar Maria do Rosário

Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi condenado a indenizar a deputada Maria do Rosário (PT-RS) por ter dito que não estupraria ela porque a petista "não merecia" em 2014. A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) manteve a decisão da 1ª instância do Distrito Federal tomada em agosto.

Além da indenização de R$ 10 mil, a Justiça determinou também que Bolsonaro se retrate das ofensas em jornais de grande circulação. A advogada da deputada já adiantou, no entanto, que a indenização será doada a uma instituição de defesa das mulheres.

26. A luta das britânicas pelo direito ao voto virou filme

O filme Suffragette (As Sufragistas, em tradução livre), inspirado no início da história de luta e resistência das mulheres pelo voto na Inglaterra no início do século XX. Por lutar à favor do sufrágio feminino (direito de votar), estas mulheres ficaram conhecidas como "sufragistas", ou "suffragette", em inglês.

O drama é protagonizado por Carey Mulligan, Helena Bonham Carter e Meryl Streep e gira em torno da história de Maud (Carey Mulligan), uma mulher trabalhadora e mãe -- que se junta ao movimento feminista da época e cria consciência de seus direitos em sociedade.

O longa, dirigido por Sarah Gavron e escrito por Abi Morgan, vai abrir o 59 BFI London Film Festival em 7 de outubro e chega aos cinemas no dia 23 do mesmo mês. Produzido pela Focus Features, ainda não há previsão de estreia mundial ou no Brasil.

27. As mulheres foram para a rua lutar por direitos no Brasil!

Diante da aprovação do projeto de lei 5069, de autoria do deputado e presidente do Congresso, Eduardo Cunha, que reduz os direitos das mulheres vítimas de violência sexual pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, mulheres de todo o Brasil foram para as ruas defender e lutar por seus direitos.

Caso aprovado, o projeto exigirá “comprovação do estupro” mediante exame de corpo de delito para que a mulher tenha acesso ao aborto legal. O PL também pune com até três anos de prisão qualquer pessoa que “instigar, aconselhar ou ajudar” uma mulher a abortar.

Por fim, o projeto defende que nenhum profissional de saúde poderá ser obrigado a “aconselhar, receitar ou administrar procedimento ou medicamento que considere abortivo”. Este trecho também abre a possibilidade de restrições ao acesso à pílula do dia seguinte.

28. E em Madrid também!

Em novembro, aconteceu a primeira grande mobilização nacional de mulheres contra a violência em Madrid, na Espanha, convocada por mais de 400 coletivos feministas. Elas são mulheres de todos os principais partidos políticos, sindicatos, e inúmeros grupos sociais dizendo ao mundo: "Denuncie o abuso" e "Chega de mortes por sermos mulheres".

Elas exigiram que a luta contra o "terrorismo machista" seja uma questão de Estado. "Enquanto isso não acontece num ambiente próximo, as pessoas não se mobilizam. Eles acham que é uma coisa que nunca vai acontecer com elas ", diz um trecho do manifesto divulgado pelos movimentos feministas.

29. O jovens suecos e o 'Sejamos Todos Feministas'

Uma parceria entre a editora Albert Bonniers Förlag e a organização independente Swedish Women's Lobby proporcionou aos estudantes suecos um presente: todos os meninos e meninas de 16 anos ganharam um exemplar do livro Sejamos Todos Feministas, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. E isso não é incrível?

30. A primeira #MarchaNacionaldasMulheresNegras

"A nossa luta é todo dia contra o machismo, racismo e homofobia." Esse foi um dos gritos entoados ao som da bateria pelas mulheres negras de todo o País que se reuniram no dia 18 de novembro, em Brasília, na 1ª Marcha Nacional das Mulheres Negras.

Esta é a primeira vez que a marcha nacional aconteceu no Brasil. O objetivo foi reunir o máximo de organizações de mulheres negras para defender a cidadania plena das negras brasileiras.

Dados do último Censo (2010) indicam que as mulheres negras são 25,5% da população brasileira (48,6 milhões de pessoas) e são as maiores vítimas de crimes violentos. De 2003 para 2013, o assassinato de mulheres negras cresceu 54,2%, segundo o Mapa de Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil. Em um ano, morreram assassinadas 66,7% mais mulheres negras do que brancas no Brasil.

31. 'Feminismo' virou disciplina na Austrália

Para que homens e mulheres jovens pensem de forma crítica sobre questões de gênero e machismo no cotidiano, agora “Feminismo” será uma disciplina obrigatória em escolas Australianas.

Isso aconteceu graças a estudantes da escola Fitzroy High School, que criaram um coletivo feminista chamado “Fightback”, em 2013, com a intenção de discutir temas que pertencem à agenda feminista e que poderiam ser abordados em sala de aula.

A ideia é que estudantes aprendam sobre igualdade de gênero, estatísticas de violência contra a mulher e refletir sobre a visibilidade feminina em diversas áreas. O estado de Victoria, em novembro, já recebeu proposta com mais de 30 lições. A ideia é que ele seja implementado aos poucos.

32. #MeuAmigoSecreto expôs o machismo enraizado

Nada como uma hashtag e um movimento de mulheres na internet para denunciar e combater o machismo. Depois que a #PrimeiroAssédio tomou conta das redes socais, e trouxe à tona um movimento mundial sobre violência sexual contra meninas, foi a vez da campanha #MeuAmigoSecreto.

A hashtag fez alusão à tradicional brincadeira de confraternizações de fim de ano, quando um amigo descreve características do outro antes de revelar a identidade e entregar o presente. Na campanha, mulheres relataram atitudes, posturas, comportamentos e discursos machistas que reforçam esta cultura sem revelar nomes. Veja alguns depoimentos clicando aqui.

33. Violência contra a mulher nas escolas? Sim!

A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) defendeu que o combate à violência contra a mulher deve integrar a grade curricular do ensino no Brasil.

A sugestão foi feita durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado. Para a parlamentar, educar as novas gerações desde cedo é fundamental.

“Temos que mudar a mentalidade do menino e da menina. É preciso deixar claro que é direito da mulher ser tratada com respeito”, disse a peemedebista, que preside a Comissão Mista de Combate à Violência Contra a Mulher na Casa.

34. China aprovou a 1ª lei que pune violência doméstica

O Parlamento chinês aprovou em dezembro a primeira lei contra a violência doméstica do país, que inclui pessoas não casadas oficialmente que moram juntas, mas, infelizmente, exclui casais gays.

Até hoje, a China não possuía uma lei que tratasse especialmente da violência doméstica, um tema frequentemente ignorado para evitar que se trouxesse embaraço à família na tradicional cultura chinesa. A nova lei proíbe qualquer forma de violência doméstica, incluindo abuso psicológico, e ajuda a simplificar o processo de obtenção de uma ordem restritiva.

Segundo informações da Reuters, de acordo com a All-China Women's Federation, controlada pelo Partido Comunista Chinês, cerca de um quarto das mulheres chinesas sofreram já algum tipo de violência doméstica, apesar de apenas 40.000 a 50.000 casos serem registrados por ano. Entre os casos denunciados no ano passado, 90% foram de abusos de maridos contra suas esposas.

35. Bélgica aprovou lei que condena cantada de rua

Qualquer pessoa que assediar alguém nas ruas da Bélgica poderá ser condenada a quase um ano de prisão ou a pagar uma multa que varia de 50 a 1000 euros. O país passa a ser o primeiro da Europa a punir esse tipo de ação.

A Ministra Federal da Igualdade de Oportunidades, Joelle Milquet, afirmou que a nova lei classifica intimidações nas ruas como ofensa criminal e a punição também poderá ser aplicada em casos de assédios nas redes sociais.

O tema ganhou destaque depois que a estudante Sophie Peeters gravou o documentário "Femme de la Rue" (A mulher da rua) que mostra os assédios que as mulheres sofrem nas ruas da Bélgica. Ela gravou durante alguns meses as cantadas que ouvia de homens em espaços públicos.

36. Bill Cosby foi indiciado por um dos crimes que cometeu

Após mais de 50 acusações de abuso sexual por diversas mulheres, Bill Cosby foi, nesta quarta-feira (30), pela primeira vez, indiciado por um dos casos.

O comediante americano de 78 anos, foi formalmente acusado e teve um mandado de prisão expedido sob a acusação de ter drogado e abusado sexualmente Andrea Constand, uma ex-funcionária da Universidade de Temple em 2002, onde Cosby estudou e foi integrante da direção. O comediante pode ser sentenciado a até doze anos de prisão.

Cosby foi liberado após pagamento parcial da fiança e teve que entregar seu passaporte. Uma audiência preliminar no caso foi marcada para 14 de janeiro. Leia mais aqui.

37. Camila Pitanga é Embaixadora da ONU Mulheres

No Dia Internacional de Direitos Humanos, a ONU Mulheres Brasil anunciou que a atriz Camila Pitanga é a mais nova Embaixadora Nacional da Boa Vontade. Ela une forças à instituição para dar cada vez mais visibilidade aos direitos e o empoderamento das mulheres e auxiliar no combate à violência contra mulheres no Brasil.

"Quero colocar em prática o meu desejo de lutar contra tanta dor e desigualdade ainda vividas pelas mulheres. Obrigada, ONU Mulheres, por me empoderar, me orientar e me fazer compreender mais os dilemas e as soluções para as mulheres no mundo. Com muita honra – muita mesmo – já me considero parte do time", escreveu Camila em seu Facebook.

38. Malala é feminista <3

Como uma das ações para divulgar o filme documentário He Named Me Malala (Ele me chamou de Malala, em tradução livre), a atriz Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, foi convidada para fazer uma entrevista com a paquistanesa Malala Yousafzai. Elas se reuniram para um bate-papo inspirador na première do documentário. Malala disse:

“A palavra feminista é um pouco difícil. Depois de ouvir um discurso seu [como embaixadora da Boa Vontade de ONU Mulheres], eu decidi que não tem nada de errado em se considerar feminista. Então, eu sou uma feminista e todos nós deveríamos ser feministas, porque feminismo é uma outra palavra para igualdade”

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