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26/12/2015 21:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Mais de 100 mil pessoas fogem de enchentes no Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai

Por Mariel Cristaldo e Matias Larramendi ASSUNÇÃO/MONTEVIDÉU (Reuters) - Mais de 100.000 pessoas tiveram que ser retiradas de suas casas nas áreas da fronteira entre Paraguai, Uruguai, Brasil e

REUTERS/Jorge Adorno/Files

Mais de 100 mil pessoas tiveram que ser retiradas de suas casas nas áreas da fronteira entre Paraguai, Uruguai, Brasil e Argentina por causa de enchentes, após fortes chuvas de verão trazidas pelo El Niño, afirmaram autoridades neste sábado.

No país mais afetado, o Paraguai, por volta de 90 mil pessoas na área em volta da capital Assunção tiveram que ser retiradas, disse o serviço municipal de emergência. Muitos são de famílias pobres vivendo em condições de habitação precárias ao longo das margens do rio Paraguai.

O governo paraguaio declarou estado de emergência em Assunção e sete regiões do país para liberar os fundos necessários para ajudar os afetados.

Em Alberdi, aproximadamente 120 km ao sul de Assunção, o governo recomendou que 7 mil famílias que vivem ao longo das margens do Rio Paraguai fossem retiradas.

Mais de 9 mil pessoas no Uruguai também tiveram que deixar suas casas para trás, de acordo com o serviço nacional de emergência, que disse prever que os níveis de água se mantenham estáveis por vários dias antes de diminuírem.

"A enchente é causada pelo fenômeno climático El Niño", disse o chefe do serviço de emergência do Uruguai, Fernando Traversa. "Sabíamos que ele causaria os impactos mais fortes no final da primavera, começo do verão... mas não poderíamos saber o quão grave seria".

O "El Niño" deste ano, que causa extremos climáticos, é o pior em mais de 15 anos, segundo disse a agência climática da ONU, a Organização Meteorológica Mundial (WMO), no mês passado.

"Secas severas e enchentes devastadoras que aconteceram nas regiões tropicais e sub-tropicais têm as marcas desse El Niño, que é o mais forte em 15 anos", disse o chefe da WMO, Michael Jarraud, em um comunicado.

No norte da Argentina, por volta de 20 mil pessoas tiveram que abandonar as suas casas, informou o governo no sábado.

"Teremos alguns meses complicados, as consequências serão sérias", disse Ricardo Colombi, governador da região de Corrientes, depois de sobrevoar as áreas mais afetadas com o chefe do gabinete federal Marcos Pena.

Pena disse que ajuda do governo federal já estava a caminho e que o novo presidente, Mauricio Macri, empossado no começo deste mês, pretende priorizar o investimento em infraestrutura para que esse tipo de enchente não ocorra novamente.

"A Argentina tem um grande problema de infraestrutura", disse.

Dilma sobrevoa região

A presidente Dilma Rousseff sobrevoou as áreas na fronteira da Argentina e do Uruguai na manhã deste sábado. A Defesa Civil do Rio Grande do Sul disse que 1.795 pessoas ficaram sem casa depois que 38 cidades foram afetadas pelas fortes chuvas.

Dilma afirmou que o governo vai trabalhar em três eixos para minimizar os estragos das cheias provocadas pela chuva no RS: o resgate das famílias atingidas, o processo de restauração das cidades e das vias, e a retirada das pessoas das áreas de risco de forma permanente.

"Nós não queremos que as pessoas voltem para o lugar em que estavam antes e que foram objeto do alagamento", declarou ela após sobrevoar as áreas atingidas na região de Uruguaiana e na Fronteira Oeste.

A presidente disse ainda que o governo vai trabalhar na liberação do saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) a todas as pessoas afetadas, e ressaltou a importância do trabalho conjunto entre os governos federal, estadual e municipal.

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