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23/12/2015 09:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

12 imagens FUNDAMENTAIS para entender a crise dos refugiados em 2015

AP Photo

"Um ano sem precedentes". Em 2015, o mundo viveu a maior crise de refugiados desde a 2ª Guerra Mundial.

Segundo estimativas da ONU, o número de refugiados e deslocados em todo o mundo em 2015 deve ser bem superior a 60 milhões de pessoas. No ano passado, foram 59,5 milhões de pessoas, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

Embora a atual crise esteja centrada na Europa, com a maioria dos refugiados tentando chegar à Alemanha e a outros países do norte do continente, são os países da África Subsaariana que acolhem a maioria dos refugiados: 4,1 milhões de pessoas. Em seguida, Ásia e Pacífico (3,8 milhões). O continente europeu está em terceiro lugar, e é lar para cerca de 3,5 milhões de refugiados.

Estima-se que a Alemanha termine o ano com mais de 1 milhão de pedidos de asilo. Até o final de novembro, 964.574 refugiados entraram no país. No último mês do ano, a chanceler do país, Angela Merkel, prometeu trabalhar para diminuir o fluxo de refugiados. Há mais de um ano, a Alemanha é palco de manifestações islamofobicas, que chegaram a reunir milhares de pessoas no começo de 2015. O gerenciamento da crise de refugiados rendeu a mandatária o reconhecimento como "pessoa do ano" da Revista Time.

O Brasil, por sua vez, virou o principal destino de refugiados na América Latina. Apesar do número ser crescente e de o Conare estar promovendo ações para aumentar o número de refugiados - principalmente sírios, que fogem de uma guerra civil que assola o país desde 2011 - o Brasil ainda é casa de menos de 10 mil refugiados, segundo dados do Conare de setembro.

Confira abaixo os principais momentos da dramática crise de refugiados que assola o mundo, e que parece estar longe de terminar.

  • Sem precedentes
    Sem precedentes
    AP Images
    Embora o estopim da crise de refugiados tenha ocorrido em 2015, essa questão já desponta para o mundo há décadas. O seu agravamento - e a chegada do "problema" à Europa - foi o que chamou a atenção do mundo e, principalmente, da imprensa ocidental para a causa. O principal motivo da chegada de refugiados ao continente europeu são os conflitos na África e no Oriente Médio, principalmente a Guerra Civil da Síria, que desde 2011 já deixou mais de 250 mil mortos e quase um milhão de feridos. A posição dos países europeus também foi contrastante: enquanto alguns ergueram muros, perseguiram refugiados e chegaram a criminalizar sua entrada em determinados territórios, outros tentaram trabalhar em conjunto e impor cotas para que todas as nações europeias dividissem a responsabilidade entre si.
  • Islamofobia
    Islamofobia
    AP Images
    Com o crescimento do número de refugiados e requerentes de asilo (a maioria vinda da Síria), algo que já vinha aumentando nos anos anteriores, viu-se também uma alta preocupante nos casos de islamofobia na Europa. Na Alemanha, os protestos contra o islamismo e os muçulmanos mobilizaram milhares de pessoas em diversos pontos do país. Em seguida, no entanto, viu-se um belo movimento: parte da população se mobilizou para defender os muçulmanos, e sufocou de forma considerável as manifestações xenófobas. Outros países europeus, como a França, a Suécia, a Holanda e a Inglaterra também registraram um aumento nas ocorrências de racismo contra seguidores da religião muçulmana, assim como ataques a mesquitas.
  • Condições precárias
    Condições precárias
    AP Photo/Santi Palacios
    Segundo dados da ONU, pelo menos 870 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo - vindas da Turquia ou de países no norte da África - e pelo menos 2.800 não concluíram as travessias. O dado, publicado em setembro deste ano, inclui mortos e desaparecidos. A crise de refugiados envolve uma articulada rede de coiotes que fazem a travessia em embarcações precárias e superlotadas, tornando um percurso relativamente curto, uma jornada extremamente perigosa.
  • Muros e cercas
    Muros e cercas
    AP Photo/Darko Bandic
    Com a chegada de um contingente cada vez maior de refugiados, muitos países resolveram erguer cercas e muros para "proteger" suas fronteiras. Entre eles, a Hungria e a Eslovênia. Além de por em risco o projeto de livre circulação da União Europeia, as iniciativas provocaram uma alteração no fluxo e no itinerário dos refugiados. Não foram poucas as vezes que houve conflito com policiais e guardas de fronteiras. É importante lembrar que a maioria dos países que impôs esse tipo de controle físico nas fronteiras não era destino final dos refugiados - que buscam, em sua maioria, chegar ao norte europeu - mas apenas um lugar de passagem.
  • Jornada a pé
    Jornada a pé
    Zsolt Szigetvary/MTI via AP
    Além do fechamento de fronteiras, países como a Hungria resolveram (além de criminalizar a entrada de refugiados, iniciativa que fere preceitos básicos dos Direitos Humanos) interromper a saída de trens que poderiam levar os refugiados a nações vizinhas, com por exemplo a Áustria. Foi nesse momento em que o mundo viu cenas chocantes, como o casal de refugiados que se jogou nos trilhos do trem com o bebê para evitar ser levado para um centro de detenção. Foi nesse momento em que milhares de pessoas acamparam na estação de Budapeste, esperando por uma solução para o problema, e outro enorme contingente seguiu até a fronteira austríaca, a quase 200 km da capital húngara.
  • 'Nova Selva'
    'Nova Selva'
    REUTERS/ Juan Medina
    Outro destino muito desejado pelos imigrantes é o Reino Unido. Chegar lá, no entanto, é ainda mais difícil: a terra da rainha não faz parte do acordo de livre circulação da União Europeia, e possui estritos controles imigratórios. 'Nova Selva' é o nome dado a um dos piores e mais precários campos de refugiados do mundo, instalados em Calais (França), no coração da Europa. A situação, no entanto, não é nova: há pelo menos 15 anos, o local é o lar de estrangeiros - muitos deles sem documentos e sem o status de refugiado - que sonham em atravessar o Canal da Mancha. Diariamente, milhares de pessoas tentam chegar à Inglaterra, seja fazendo a travessia por mar ou tentando passar o Eurotunel.
  • O despertar do mundo
    O despertar do mundo
    Reprodução/Twitter
    Foi a imagem de um menino de três anos que fez com que o mundo, a imprensa e parte da comunidade internacional abrissem os olhos para a crise dos refugiados. Alan Kurdi tentava, junto com a mãe, o pai e o irmão, chegar à Grécia em uma embarcação precária, que naufragou durante a travessia. O pai foi o único sobrevivente da família, e voltou à Síria para enterrar os dois filhos e a esposa. O corpo de Alan foi encontrado em uma praia turca, e a foto de um policial carregando o menino rodou o mundo. Embora seja um caso isolado e um drama que se repete todos os dias com centenas de crianças, é impossível negar que a morte de Alan foi um marco da crise e escancarou a face mais brutal da crise de refugiados. (Por ser uma imagem forte, fizemos a escolha de não colocar a foto de Alan morto. Caso queira ver a imagem, clique aqui.)
  • Xenofobia e Agressão
    Xenofobia e Agressão
    REUTERS/Marko Djurica
    Outra imagem que rodou o mundo foi a de uma cinegrafista húngara dando uma rasteira em um homem que atravessava a fronteira entre a Hungria e a Sérvia correndo e trazia uma criança no colo. Após as cenas grotescas ganharem repercussão mundial, os personagens da história foram identificados: Petra Laszlo trabalhava para o canal ultranacionalista chamado N1TV. Após a agressão, ela foi demitida e disse que iria processar o Facebook e o refugiado que havia sido agredido por ela. O homem em questão era Osama Abdel-Muhsen Alghadab, que chegava a Europa com seu filho de 7 anos. Técnico de futebol, ele atualmente vive na Espanha, onde foi contratado por um time do país. Ele tem mais 3 filhos e deseja reunir a família no continente. Já a cinegrafista, que justificou a agressão como sendo um 'ataque de pânico', estuda se mudar para a Rússia, pois afirma ser alvo de agressões e ameaças no seu país natal.
  • Infância Perdida
    Infância Perdida
    AP Photo/Petros Giannakouris
    De janeiro a outubro de 2015, só na Suécia, 23 mil menores desacompanhados solicitaram asilo, o que representa mais de todos os pedidos apresentados ano passado em toda a União Europeia. São muitas as histórias de crianças que chegam sem os pais ao continente, pelos mais diversos motivos. Famílias que não podem pagar para levar todos os seus integrantes às vezes mandam só uma criança – em geral a mais velha, ou um filho – na duríssima viagem. Os riscos são muitos, entre eles, o de os pequenos se envolverem em atividades criminosas e caírem nas mãos de redes de tráfico de pessoas.
  • Brasil: 'Capacidade de acolhida'
    Brasil: 'Capacidade de acolhida'
    AP Photo
    Mesmo com a crise de refugiados concentrada na Europa, o Brasil também se mostrou como um importante destino para refugiados. Em setembro deste ano, Conare (Conselho Nacional para os Refugiados) decidiu, por unanimidade, prorrogar por mais dois anos a Resolução Normativa nº 17, que facilita a emissão de vistos humanitários para quem vive na Síria. Além de tentar ajudar a pôr fim a uma crise humanitária, o dispositivo pretende estimular a vinda de sírios para o País, segundo o presidente do Conare, Beto Vasconcelos. Atualmente, o Brasil tem cerca de 3.000 refugiados sírios reconhecidos, além dos processos que aguardam decisão. 'A possibilidade de acolhida é o grande ativo do Brasil', afirmou Vasconcelos em entrevista ao HuffPost Brasil.
  • EUA: Retrocesso e 'histeria'
    EUA: Retrocesso e 'histeria'
    AP Photo/LM Otero
    Motivados pelos ataques ocorridos em Paris no dia 13 de novembro, vários governadores republicanos dos EUA resolveram suspender programas de acolhimento a refugiados sírios e iraquianos, alegando que essas pessoas, que fogem de guerras e de grupos terroristas, poderiam representar riscos à segurança do país. A medida, que foi endossada pela Câmara dos EUA, foi fortemente criticada pelo presidente americano, Barack Obama. O democrata classificou a medida como 'histeria' e afirmou que nenhuma pessoa que entra nos EUA passa por mais controles de segurança do que um refugiado. Entenda por que a decisão não faz NENHUM SENTIDO.
  • Canadá: Lição para o mundo
    Canadá: Lição para o mundo
    REUTERS/Mark Blinch
    Em meio ao aumento de controles imigratórios e até mesmo a suspensão de programas de acolhimento a refugiados, como foi o caso dos EUA, o Canadá deu uma lição para o mundo: empossado em novembro deste ano, o primeiro-ministro do país, Justin Trudeau, manteve a promessa ambiciosa de receber 25 mil refugiados sírios até janeiro de 2016. A meta é, de fato, ambiciosa, mas o primeiro avião com refugiados vindos da Síria aterrissou em Toronto no dia 11 de dezembro, e Troudeau fez questão de recepcioná-los pessoalmente. Que a atitude do Canadá - e de muitos outros países que receberam os refugiados de braços abertos - seja exemplo para o mundo em 2016. ❤