COMPORTAMENTO
21/12/2015 11:54 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Por que a evolução fez a infidelidade doer tanto?

Michael Dockery

Num nível superficial, ciúme é sem dúvida uma das emoções mais contraproducentes no rol daquelas que evoluímos para experimentar. Pense em todas as horas que nós, humanos, perdemos ansiando por parceiros roubados ou amores não correspondidos, sem mencionar a devastação causada por crimes passionais. Além disso, de uma perspectiva evolucionária, claro que mais pessoas transando significaria mais pessoas, ponto. Então por que ficamos tão putos com o que os outros fazem com suas genitálias?

A resposta a essa pergunta é complexa e ainda está sendo investigada, apesar de muitas teorias terem sido pensadas sobre como o ciúme pode ter fornecido uma vantagem no nosso meio ambiente ancestral. O que sabemos é que, enquanto homens e mulheres são criaturas igualmente ciumentas, os gatilhos do ciúme diferem muito entre os sexos.

Segundo uma pesquisa de décadas do psicólogo David M. Buss, homens tendem a sentir mais ciúme da infidelidade sexual da parceira, enquanto as mulheres têm mais ciúme quando um parceiro é emocionalmente infiel. Olhando para os nossos ancestrais, isso meio que faz sentido – e levou ao que ficou conhecido como modelo de investimento parental. Do ponto de vista de uma perspectiva evolucionária, os homens precisavam ter certeza de que suas parceiras sexuais eram fiéis para não perder tempo e recursos criando um filho que não era deles. As mulheres não precisavam se preocupar com isso, mas dependiam dos parceiros para fornecer recursos enquanto criavam os filhos. Portanto, a mulher se sentiria mais ameaçada por infidelidade emocional, já que isso resultaria num parceiro dando seus recursos para outra mulher e o filho dela.

Essa dinâmica obviamente não se aplica a relacionamentos em que gravidez e filhos não são fatores, porém nossas emoções continuam as mesmas até quando se trata de relacionamentos online, por exemplo. Uma pesquisa publicada pelo Journal of Applied Social Psychology em 2010 descobriu que homens têm mais chance de experimentar ciúmes com a perspectiva de a parceira fazer sexo virtual em vez das chances de ela estabelecer uma ligação emocional pela internet. As mulheres, por sua vez, achavam a ideia de seu parceiro formar um vínculo emocional online muito mais ameaçadora.

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