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20/12/2015 11:08 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Fifa suspende repasses prometidos ao Brasil após a Copa do Mundo de 2014

Pool via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JULY 13: Dancers perform during the opening ceremony prior to 2014 FIFA World Cup Brazil Final match between Germany and Argentina at Maracana on July 13, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Pool/Getty Images)

A Fifa suspendeu o envio de dinheiro para a CBF que havia prometido como parte do "legado" que deixaria ao Brasil depois da Copa do Mundo. Novas auditorias estão sendo realizadas e não existe um prazo para a retomada da transferência dos recursos. Passados 17 meses do Mundial mais rentável da história, o Brasil recebeu apenas 0,2% da receita da Copa, de cerca de US$ 5 bilhões.

Durante a preparação para o Mundial, a Fifa anunciou que criaria um fundo de US$ 100 milhões para desenvolver o futebol brasileiro. Até hoje, porém, apenas US$ 8,7 milhões foram liberados e, em terrenos comprados com o dinheiro, os projetos não têm data para ocorrer enquanto novos recursos não forem liberados.

Oficialmente, a entidade não dá explicações à suspensão. Mas, segundo um porta-voz, "requisitos adicionais de informes e auditorias estão atualmente sob discussão com a CBF". Tanto o presidente licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero, como os ex-presidentes José Maria Marin e Ricardo Teixeira estão sendo investigados na Fifa por corrupção. Os três também foram indiciados pelo FBI.

Na CBF, a direção de Comunicação confirma o congelamento dos recursos. Mas aponta que o problema estaria na Suíça. "Segundo a Fifa, tendo em vista os acontecimentos recentes, a entidade está totalmente dedicada na revisão de seus processos de 'compliance' financeiro. O presidente do Comitê de Auditoria e Compliance e o departamento jurídico da entidade optaram por interromper qualquer envio de recursos de projetos de desenvolvimento, onde o Projeto de Legado da Copa do Mundo se encaixa", indicou.

O fundo foi criado em 2013, diante dos protestos no Brasil contra a Fifa em um esforço para demonstrar que a Copa traria vantagens ao futebol brasileiro. Até hoje, apenas US$ 8,7 milhões foram enviados ao País. US$ 3,1 milhões foram usados pela própria Fifa em gastos no Brasil. Outros US$ 5,5 milhões entraram nos cofres da CBF - 40% foi alvo de tributação.

Durante a Copa, em 2014, um centro de treinamento foi inaugurado em Belém. Mas, desde então, pouco se avançou em outros projetos. De acordo com a CBF, US$ 3,3 milhões do fundo da Fifa foram usados para construir centros de treinamentos.

Terrenos foram comprados em Porto Velho (RO), diz a entidade. Em um documento enviado à CPI do Futebol e obtido pelo jornal O Estado de S.Paulo, um informe da Fifa aponta que ainda estavam sendo procuradores terrenos em Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba, Roraima e Santa Catarina.

Na capital do Tocantins, Palmas, um outro terreno de 40 mil metros quadrados foi comprado e a promessa era de que, até o final deste ano, as obras começariam. Hoje, porém, não existe nenhum sinal de obras. "O processo de concorrência para contratação das construtoras só pode ser iniciado quando se tem a garantia de envio dos recursos por parte da Fifa", explicou a CBF.

A Federação de Futebol do Tocantins é uma velha aliada da CBF. Seu presidente, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), foi um dos políticos que recebeu doações da CBF para sua campanha ao Senado.

Segundo a CBF, o dinheiro do Fundo também foi usado para "o suporte técnico na compra dos mencionados terrenos, elaboração de projetos arquitetônicos e executivos e gerenciamento das obras". Os recursos ainda foram destinados à "elaboração de modelo de gestão e governança a ser aplicado nos Centros de Desenvolvimento do Futebol".

A CBF afirma ainda que realizou "seminários de futebol feminino, com a presença de representantes de todas as 27 federações estaduais, dos 20 clubes mais bem ranqueados, de ex-jogadoras e demais 'stakeholders' da modalidade", entre outras atividades.

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