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19/12/2015 09:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Nelson Barbosa não agrada mercado e terá de lutar contra fama de ser 'antiajuste'

Agência Brasil/FIickr
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, comenta a publicação do Decreto de Programação Orçamentária e Financeira de 2015, com o contingenciamento do Orçamento (José Cruz/Agência Brasil)

Para o economista Nelson Barbosa, o ministério dos sonhos só chegou um ano e 21 dias depois da pomposa cerimônia no Palácio do Planalto, que marcou o anúncio da nova equipe econômica para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, após a vitória nas eleições do ano passado.

Nenhum dos prognósticos otimistas alardeados naquele momento histórico, em 27 de novembro de 2014, se confirmou - pelo contrário, a economia afundou numa recessão. Exceto as previsões de que o fiscalista Joaquim Levy não passaria mais de um ano no comando da Fazenda e seria substituído, mais cedo ou mais tarde, pelo desenvolvimentista Barbosa, o escolhido para comandar o Ministério do Planejamento. Um cargo que não era o mais desejado por ele, presença recorrente nas listas de apostas de candidatos para a Fazenda.

Considerado um economista "brilhante" por seus auxiliares mais próximos, que o acompanham há anos, Barbosa retorna agora ao prédio do Ministério da Fazenda, onde já foi o número dois na gestão de Guido Mantega. Tem pela frente a tarefa de buscar uma "luz no fim do túnel" para a retomada do crescimento.

A frase que melhor resume o seu pensamento é de que sem crescimento não há como garantir o equilíbrio sustentável das contas públicas. Primeiro é preciso crescer.

Antiajuste

Na cadeira de Levy, ele precisará, no entanto, afastar a desconfiança do mercado financeiro e a pecha que ganhou de ministro do "antiajuste" das contas públicas.

A fama de gastador foi alimentanda ao longo do ano por sua defesa, vitoriosa com a presidente, de enviar ao Congresso Nacional um orçamento com déficit primário e de redução da meta fiscal. Medida em defesa do "realismo fiscal", que custou a perda do grau de investimento do Brasil pela agência de classificação de risco e piora na confiança dos investidores.

Assessores refutam essa imagem e alegam que ele fez o maior ajuste fiscal em 2015 desde que a Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada. Um corte de R$ 134 bilhões, o equivalente a 2,31% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

"Barbosa não é antiajuste. Ele tem planejado um ajuste no mesmo montante para 2016. O mercado está tentando desconstruir ele ao dizer isso", reclama um dos seus auxiliares próximos.

A ideia de que foi o construtor da nova matriz econômica - política adotada pela presidente no primeiro mandato e apontada como responsável pela crise econômica atual - também é contestada. Teria sido obra de Márcio Holland, ex-secretário do time de Guido Mantega.

Pedaladas

A permanência do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, no cargo não depende apenas do seu sucesso na condução da política econômica daqui para frente, mas de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

Barbosa é uma das autoridades do governo da presidente Dilma Rousseff que estão sendo julgadas pelas chamadas "pedaladas fiscais". É como ficaram conhecidos os atrasos no repasse de recursos do Tesouro Nacional para bancos públicos e o FGTS promovidos pela equipe econômica do primeiro mandato da presidente Dilma.

A depender da tipo de punição, Barbosa, se condenado, poderá ser inabilitado para exercer o cargo. Mesmo tendo deixado a equipe do ex-ministro, Guido Mantega, em 2013, Barbosa assinou portaria na condição de ministro interino que foi incluída no processo, embora tenha batido de frente com o ex-secretário do Tesouro, Arno Augustin, idealizador das "pedaladas". Além dele, outras 17 autoridades serão julgadas.

As "pedaladas" embasam o pedido de impeachment da presidente. Se antes se acreditava que apenas Mantega e Augustin seriam penalizados pelas operações, o risco de responsabilização de autoridades chave da atual gestão petista aumentou após a decisão do TCU que recomendou a reprovação das contas de Dilma de 2014.

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