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18/12/2015 10:42 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Deputado Fernando Furtado é eleito por ONG internacional como o 'Racista do Ano'

Reprodução/Facebook

O deputado estadual Fernando Furtado (PCdoB-MA) foi grande vencedor do prêmio ‘Racista do Ano’, concedido pela ONG Survival International. A ‘honraria’, que leva em conta discursos preconceituosos e deploráveis de todo o mundo, se deve ao que o parlamentar declarou no dia 4 de julho deste ano, quando seria melhor deixar os índios da Amazônia morrer de fome.

Survival has made Brazilian politician Fernando Furtado Racist of the Year 2015, bringing the issues faced by tribal...

Posted by Survival International on Quinta, 17 de dezembro de 2015

E não foi só: ele os definiu como “um bando de viadinho (sic)” e criticou a política indigenista no Brasil, a qual seria equivocada porque “dá aos índios direitos que eles não têm”. As palavras homofóbicas e recheadas de preconceito foram proferidas em uma audiência pública, a convite da Associação dos Produtores Rurais de São João do Caru (MA), a 359 km de São Luís, próximo à fronteira com o território indígena dos Awá, em uma área de floresta rara pré-amazônica.

“Eu vou dizer abertamente: índio nunca me fez nada, não tenho descendência indígena, não tenho parente índio e acho que a política indigenista no Brasil ela é equivocada. (É) uma política que garante aos índios aquilo que eles não têm direito. Não tem direito porque índio não é melhor do que qualquer brasileiro desse País. Índios têm regalia que os outros brasileiros que trabalham não têm…”, disse Furtado (leia outras passagens do discurso ao final da matéria).

Em setembro, diante da repercussão das suas palavras até dentro do próprio partido, Furtado chegou a se retratar. “Eu, deputado Fernando Furtado, reitero minhas sinceras desculpas à população de todo o Estado. E quero dizer que nunca fui, não sou e nunca vou ser homofóbico”, declarou ele na tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema).

Para o diretor da Survival International, Stephen Corry, não é o bastante diante do grave problema que há justamente na área em que o deputado do PCdoB fez o discurso. Segundo a ONG, madeireiros vêm provocando incêndios na região justamente para atingir os índios, na tentativa de retaliar os indígenas da tribo Awá, tida como uma das mais vulneráveis do mundo. Recentemente, operações para retirar madeireiros da área causaram vários conflitos violentos.

“Essas observações repugnantes indicam a extensão do racismo contra os povos indígenas entre algumas das pessoas mais poderosas na sociedade brasileira. É importante que as pessoas dentro e fora do Brasil estejam cientes da prevalência dessas atitudes, porque elas estão por trás dos violentos ataques genocidas que as tribos brasileiras enfrentam hoje. Foi por isso que decidimos nomear Furtado como o ‘Racista do Ano de 2015’”, comentou Corry.

Vale lembrar que Furtado não é o primeiro brasileiro a receber a ‘honraria’ internacional por conta de discursos de ódio e preconceito. Em 2014, o deputado federal Luís Carlos Heinze (PP-RS) - um dos 30 parlamentares da legenda investigados na Operação Lava Jato - foi o agraciado pela Survival International, depois de declarar que “o governo…está aninhado com quilombolas, índios, gays e lésbicas, tudo o que não presta”.

Leia alguns trechos do discurso de Fernando Furtado:

“Eu vou dizer abertamente: índio nunca me fez nada, não tenho descendência indígena, não tenho parente índio e acho que a política indigenista no Brasil ela é equivocada. (É) uma política que garante aos índios aquilo que eles não têm direito. Não tem direito porque índio não é melhor do que qualquer brasileiro desse País. Índios têm regalia que os outros brasileiros que trabalham não têm…”.

“Essa história dos índios é apenas um plano de fundo para enganar todos nós. Essa história de criar nações indígenas é uma historia da ONU, dos americanos que querem tomar nossas riquezas. Nós não vamos permitir isso, nosso território é soberano, nós temos a soberania, e não vamos deixar nem americano, nem chinês, nem francês, nem alemão, nem o diabo filha da puta, que venha do outro lado pra cá. Essa terra é nossa, e nós é que iremos resolver os nossos problemas aqui dentro, nós, nós o povo brasileiro! Porque sabemos resolver os nossos problemas”.

“O que eles querem é criar uma nova área de extração mineral, criar uma empresa estatal, e depois, privatizar como privatizaram a Vale do Rio Doce, é isso que eles querem, e nós não vamos deixar. Estamos atentos a essas questões todas. Outra coisa, dizer que índio e pobrezinho, no norte do País índio tem avião, índio negocia castanha, negocia os recursos naturais daquela região, e índio lá não tem esse problema. Olha o problema que fizeram em ‘Raposa Terra do Sol’ (em Roraima), está lá tudo jogado, ninguém está produzindo nada. Tiraram os produtores de arroz deixaram os índios, e índio diz que não sabe plantar arroz, então morre de fome desgraça. É a melhor coisa que tem, porque não sabe nem trabalhar.”

“Lá em Brasília o Arnaldo viu, os índios tudo de camisetinha, tudo arrumadinho, com flechinha, tudo um bando de viadinho. Tinha uns três lá que eram viado que eu tenho certeza, viado. Eu não sabia que tinha índio viado, fui saber naquele dia em Brasília, tudo viado. Então é desse jeito que tá, índio já consegue ser viado, boiola, e não consegue trabalhar e produzir? Negativo.”