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18/12/2015 21:06 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Com Cunha em risco, Bancada Bíblia Boi e Bala teme perder espaço na Câmara

Montagem/Estadão Conteúdo

O iminente afastamento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deixou os aliados das bancadas do Boi, da Bíblia e da Bala em alerta.

Foi na gestão Cunha que essas frentes mais cresceram, e a possível ausência dele tem feito que os parlamentares se movimentem para aprovar as pautas pendentes.

Oficialmente, os deputados preferem não falar em preocupação, mas assumem que já se articulam para emplacar um presidente aliados com as causas dos grupos no comando da Casa.

Presidente da comissão que aprovou o estatuto que define família apenas como a união entre homem e mulher, o deputado Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ), avalia que a eventual saída de Cunha será contornada.

“Mesmo que ele saia, quem vai assumir não será um governista. Isto eu posso te garantir”, disse ao HuffPost Brasil.

O deputado Laudívio Carvalho (PMDB-MG), relator do Estatuto do Desarmamento, diz que a saída de Eduardo Cunha não preocupa. O parlamentar, porém, admite pressa.

“Está tudo pronto para ser votado. Tenho a esperança de que o projeto vá ao plenário ainda no primeiro semestre de 2016. Não tem motivo para não ir, estamos trabalhando nisso”, afirma.

A bancada ruralista também atua em conjunto com a da bala e a evangélica para colocar em votação suas pautas pendentes.

É ao atual presidente da Casa que a Frente do Agronegócio agradece a comissão da PEC 215, que transfere ao Legislativo da função de demarcar terras indígenas, a retirada do rótulo de alimento transgênico e a aprovação da terceirização para todas as atividades.

Aos colegas, o presidente da frente, Marcos Montes (PSD-MG) tem afirmado que “nenhum outro presidente teve coragem de colocar projetos que precisavam ser discutidos em votação como fez Eduardo Cunha.”

Para a deputada Maria do Rosário(PT-RS), as bancadas se movimentam com medo de perder espaço e de serem atingidas pelo "fora Cunha".

Ela fez uma análise desse novo cenário ao HuffPost Brasil:

“O primeiro projeto polêmico deles já foi até esquecido. Na Câmara, ninguém mais fala do 5069, que dificulta o atendimento às vítimas de estupro. Eles viram que as mulheres foram às ruas contra o Cunha e esse projeto. Eles viram que, com a queda do Cunha, eles já começaram a perder espaço. Isto os preocupa. Tenho certeza de que vamos conseguir enterrar muitas pautas que afrontam os direitos humanos.”

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