MULHERES
18/12/2015 11:42 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Boate é investigada por suposta festa com 'rodízio de mulheres' no interior do Paraná

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) investiga uma boate da cidade de Santo Antônio do Sudoeste, a 650 km de Curitiba, por supostamente promover uma festa que contaria com um ‘rodízio de mulheres’. É o que consta em um panfleto que circulou nas redes sociais do evento, que estava previsto para acontecer entre os dias 10 e 11 de dezembro.

Segundo o material de divulgação que chegou ao conhecimento dos investigadores, os clientes pagariam R$ 200 para entrar e “consumir” quantas garotas aguentassem. O caso foi denunciado pela Marcha Mundial das Mulheres do Paraná ao Núcleo de Promoção de Igualdade de Gênero (Nupige) do MP-PR.

Somos Mulheres e Não Mercadoria!Prezadas integrantes do NUPIGE/PR,A Marcha Mundial das Mulheres/PR tomou...

Posted by Marcha Mundial de Mulheres do Paraná on Quarta, 25 de novembro de 2015

De acordo com a Promotoria, o evento foi proibido por meio de um termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado com o dono da boate, que negou as acusações e alegou que trata-se de um panfleto falsificado. Se confirmada a veracidade do material, o evento configuraria conduta criminosa evidente de exploração sexual de mulheres.

“Em um primeiro momento agimos para impedir que a festa fosse realizada e obtivemos sucesso. Em uma frente de urgência, as medidas possíveis no momento foram tomadas. Agora partimos para uma investigação maior para apurar se havia ou não exploração de mulheres ou prostituição de menores no local”, disse o promotor Bruno Henrique Príncipe França, responsável pelo caso, ao jornal Gazeta do Povo.

O MP-PR também identificou outras irregularidades na boate e solicitou que o dono providencie o alvará de funcionamento e o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros no prazo de três meses. O estabelecimento – que está fechado até regularização – também está proibido de realizar qualquer evento semelhante à “Noite do Rodízio” que incentive a exploração sexual.

Ao G1, o promotor destacou que o panfleto apresenta as mulheres de maneira degradante, com forte apelo machista. “(O MP-PR) não vai contra as mulheres que tiram proveito do próprio corpo para obter algum tipo de renda, mas a terceiros que se aproveitam da situação para explorá-las sexualmente”, completou França.

De acordo com Rosani Moreira, integrante da Marcha Mundial das Mulheres do Paraná, denunciar casos como esse é um importante mecanismo de combate à prostituição.

“Nós fazemos um combate a legalização da prostituição porque consideramos a forma mais violenta da mercantilização dos nossos corpos. É o capitalismo diretamente sobre o corpo das mulheres como produto de consumo para o prazer dos homens”, afirmou ela ao Paraná Portal.

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