NOTÍCIAS
16/12/2015 09:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Táxi encontrado na casa de Eduardo Cunha está em nome de acusado de receber propina

Montagem/Ag. O Dia/Estadão Conteúdo

Ao realizarem operação de buscas e apreensão na casa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Rio, nesta terça-feira (15), agentes da Polícia Federal avistaram estacionado na garagem um táxi branco, com placa de Nilópolis (cidade na Baixada Fluminense). O carro está registrado em nome de Altair Alves Pinto, cuja casa no Rio também foi visitada pelos policiais. A informação é do portal do jornal O Dia.

Em delação premiada, Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB na Lava Jato, disse ter entregue a Alves Pinto dinheiro destinado a Cunha. O presidente da Câmara sempre negou participação no esquema de corrupção da Petrobras e se diz vítima de perseguição do governo e da Procuradoria-Geral da República.

Em depoimentos à Lava Jato, Baiano disse que entregou entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em espécie no escritório de Cunha no centro carioca, a um homem chamado Altair.

O táxi placa LSM 1530 encontrado na casa de Cunha é um Volkswagen Touareg modelo 2014, fabricado na Eslováquia. Um veículo zero quilômetro deste modelo é avaliado em torno de R$ 200 mil.

Altair Alves Pinto, de 67 anos, é desde 2003 funcionário do gabinete do deputado estadual Fábio Silva (PMDB), aliado de Cunha, onde trabalha como consultor especial para assuntos parlamentares. Antes, trabalhou também no gabinete de Cunha na Assembleia Legislativa, quando o atual presidente da Câmara era deputado estadual.

Além de funcionário da Assembleia, Alves Pinto é sócio de uma marmoraria em Muqui, cidade capixaba onde nasceu, a 175 km de Vitória. Sua mulher e filha são sócias em uma segunda marmoraria. Ele também é dono de uma fazenda. Muqui é um município com 15 mil habitantes. O prefeito da cidade, Aluisio Filgueiras (PSDB) foi colega de turma de Alves Pinto no ginásio do Colégio Estadual de Muqui. Segundo Filgueiras, Alves Pinto é "apolítico". "Nunca trabalhou em campanha nenhuma, nunca custeou financeiramente nenhuma campanha", afirma.

Calma e ambulância durante ação da PF

Eduardo Cunha já estava acordado quando, por volta das 6h desta terça-feira recebeu a ligação da Polícia Legislativa informando que agentes da Polícia Federal estavam diante da residência oficial da presidência da Câmara com um mandado de busca e apreensão em mãos. O próprio Cunha abriu a porta para eles.

Usuário compulsivo do celular, teve poucos minutos para fazer alguns contatos. Às 6h45, seus três aparelhos já haviam sido desligados e apreendidos pela Polícia Federal, que não adotou a mesma discrição vista em outras ações da Operação Lava Jato em Brasília.

Em vez de carros descaracterizados, as viaturas deixavam evidente o que acontecia na manhã de terça na Península dos Ministros, onde ficam as residências oficiais da Câmara e do Senado, às margens Lago Sul, área nobre da capital federal. Homens com uniformes camuflados isolaram com fita amarela e preta o perímetro das duas casas. Só furava o bloqueio quem recebia autorização.

Durante a operação, que durou mais de cinco horas, Cunha esteve acompanhado pelo advogado Alexandre de Souza, filho do ex-procurador Antonio Fernando Souza, integrante da junta de advogados contratada pelo presidente da Câmara e responsável por sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF). Todos os ambientes da residência oficial foram vasculhados. Como Cunha estava incomunicável, todos os contatos eram feitos através de Souza. Ele que repassava informações do que ocorria no interior da residência oficial tanto para assessores quanto para os outros advogados.

Sem poder entrar na casa, assessores do peemedebista se juntaram aos jornalistas em frente à residência oficial. Alguns preocuparam-se ao ver uma ambulância se aproximar. Disseram que Cunha sofre de pressão alta. De dentro da casa, souberam, no entanto, que Cunha estava tranquilo. Ou ao menos era esta a impressão que transmitia. Irritava-se apenas com o barulho dos helicópteros das emissoras de TV que sobrevoaram o local. Um chaveiro foi chamado para abrir um cofre antigo, patrimônio da residência oficial, que, contudo, estava vazio. Às 11h25 a PF deixou o local.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: