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16/12/2015 11:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Estados Unidos liberam galinha transgênica que produz remédio para humanos

Tim Graham via Getty Images
LAMBOURN, UNITED KINGDOM - OCTOBER 17: Free-range chicken of breed Isa 257 roams freely at Sheepdrove Organic Farm, Lambourn, England.

Os Estados Unidos regulamentaram, no dia 8, a produção de galinhas geneticamente modificadas. O objetivo não é produzir nuggets mais baratos e, sim, salvar vidas.

De acordo com a Nature, as galinhas passaram por um processo de engenharia genética para produzirem, em seus ovos, a Sebelipase alfa, enzima cujo nome comercial é Kanuma.

O Kanuma será empregado no tratamento de pessoas com Deficiência de Lipase Ácida Lisossômica (LAL).

Quem sofre da doença não possui a enzima responsável por degradar colesterol esterificado e triglicerídeos. Isso faz com que, progressivamente, essas gorduras se acumulem no fígado, nos intestinos e na parede de vasos sanguíneos.

O resultado é risco significativamente aumentado de morte prematura por doenças cardiovasculares e hepáticas. Bebês com deficiência de LAL dificilmente ultrapassam os 6 meses de vida.

Omelete terapêutica

Os ovos de galinha transgênica não são feitos para consumo humano. Na verdade, os pesquisadores responsáveis pelo Kanuma devem extraí-lo das claras do ovo para, então, produzir a droga que deve ser administrada por via intravenosa.

Não é a primeira vez que a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora dos Estados Unidos, aprova animais transgênicos para funções terapêuticas.

Em 2014, ao órgão regulamentou coelhos geneticamente modificados para produzirem drogas em seu leite. A primeira medida da FDA nesse sentido aconteceu em 2009, com a aprovação de cabras geneticamente modificadas para produzir, em seu leite, substâncias anticoagulantes para fins médicos.

Para dar sinal verde aos franguinhos transgênicos, a FDA determinou que a Alexion, empresa responsável pelo Kanuma, mantenha processos rígidos para isolar os frangos transgênicos de qualquer contato com outros animais.

E também conferiu ao Kanuma o status de "droga orfã"-- ou seja, que não tem alternativas -- e terapia inovadora.

Hoje, o que se pode fazer em relação à Deficiência de Lipase Ácida Lisossômica é enxugar gelo: tentar controlar o colesterol com estatinas, em adultos, e fornecer cuidados paliativos a bebês.

"Antes desta droga, não tínhamos nenhum tratamento para pacientes que realmente fossem direcionados à deficiência bioquímica da doença", disse Barbara Burton, pediatra da Northwestern University Feinberg School of Medicine em Chicago, à Nature.

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