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15/12/2015 08:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Polícia Federal faz buscas nas casas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em nova fase da Operação Lava Jato

Montagem/Estadão Conteúdo

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (15) uma operação de busca e apreensão na residência oficial do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em Brasília, e na casa do parlamentar, no Rio. O deputado federal é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pela Procuradoria-geral da República nas investigações da Operação Lava Jato.

Batizada de ‘Catilinárias’ – em referencia ao romano Cícero (“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? / Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? / A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?”) –, a operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

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Posted by Departamento de Polícia Federal - MJ on Terça, 15 de dezembro de 2015

Desde as primeiras horas da manhã, carros da PF cercaram as residências de Cunha, tanto na residência oficial de Cunha em Brasília, como na casa do deputado na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Por volta das 8h30, gabinetes da diretoria da Câmara dos Deputados também foram alvo de agentes da PF. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, Cunha está incomunicável, uma vez que o seu telefone celular seria um dos itens apreendidos pelos policiais.

Cunha já foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) em agosto por suspeita de envolvimento em irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato, que apura um esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras.

Segundo a denúncia apresentado pelo MPF ao STF, Cunha recebeu US$ 5 milhões de propina como parte do esquema de corrupção para facilitar e viabilizar a contratação de um estaleiro pela petrolífera, no período entre junho de 2006 e outubro de 2012.

O presidente da Câmara, que nega as irregularidades, tem prerrogativa de foro privilegiado e as ações contra ele dependem de autorização do ministro Teori Zavascki, responsável pelas ações decorrentes da Lava Jato no STF.

Além da denúncia de envolvimento na Lava Jato, Cunha é alvo de um processo no Conselho de Ética da Câmara que pode resultar na cassação de seu mandato. Ele é acusado de mentir ao negar na CPI da Petrobras possuir contas bancárias no exterior e, depois disso, documentos dos Ministérios Públicos do Brasil e da Suíça apontaram a existência de contas em nome do deputado e de familiares no país europeu.

Outros alvos

A operação deflagrada pela PF nesta terça-feira cumpre 53 mandados de busca e apreensão, referentes a sete processos da Lava Jato, e também tem como alvos o ex-ministro de Minas e Energia e atual senador Edison Lobão (PMDB-MA), o deputado e atual ministro de Ciência e Tecnologia Celso Pansera (PMDB-RJ), o ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), o senador Fernando Bezerra (PSB-PE) - aliado do ex-governador pernambucado Eduardo Campos, morto em 2014 -, o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, e o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fábio Ferreira Cleto, indicado por Cunha para o cargo.

Pansera foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do esquema de corrupção investigado pela Lava Jato, como "pau mandado" de Cunha. O deputado Aníbal Gomes é alvo de quatro inquéritos no STF. O parlamentar é suspeito de ser "interlocutor" do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - que teria usado Gomes como intermediário dos contatos com a diretoria de Abastecimento da Petrobras, reduto do PP no esquema de corrupção instalado na estatal.

De acordo com a PF, as ações acontecem em sete Estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte – e no Distrito Federal.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)