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15/12/2015 23:20 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Peemedebistas se dividem sobre o futuro de Cunha

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

A batida policial nas casas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de dois ministros e um senador do PMDB deixou os correligionários divididos. O clima na Câmara e no Senado era completamente diferente. Nas duas casas, uma estratégia dos presidentes Renan Calheiros, do Senado, e Cunha fez com que as sessões fossem mantidas.

Deputados próximos a Cunha encamparam a ideia de que o Planalto tem controle sobre os mecanismo de investigação e os usa para emparedar os peemedebistas.

“Acho estranho que a operação da PF ocorra só agora, quase seis meses depois da denúncia ter sido aberta. Não faz sentido. Além disso, pegou só gente do PMDB”, afirma Darcísio Perondi (PMDB-RS) ao HuffPost.

O discurso do deputado é o mesmo de Cunha. O peemedebista também disse que causa estranheza a operação ter sido feita na véspera da decisão sobre o impeachment e no dia em que seu processo estava marcado para ser votado no Conselho de Ética.

Um aliado de Cunha acrescentou ao HuffPost Brasil que o peemedebista tem duas opções.

“Ou ele ganha no mérito da acusação, a qual não deve ganhar, ou ele ganha com o tempo. E Cunha está fazendo isso, está usando o tempo ao seu favor. Não está fazendo nada errado, apenas as armas que tem. Ele entende de regimento e está fazendo uso disso. Normal. Ninguém se entrega fácil."

O correligionário de Cunha é mais um dos que insistem na tese que o governo em influência no trabalho da PF. “Qual a acusação que recai sobre Pansera (ministro de Ciência e Tecnologia”)? Não tem. A única coisa é que ele foi chamado de ‘pau mandado’ do Cunha. Isso não diz muita coisa, o que ele fez? Ninguém sabe.”

O aliado, porém, não defendeu o ministro Henrique Eduardo Alves, do Turismo, e o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, que também foram alvo da batida policial.

Enquanto na Câmara os deputados insistiam na tese de Cunha de que há uma perseguição ao PMDB, no Senado, ainda há um rescaldo da prisão do petista Delcídio Amaral (MS).

Um senador da cúpula do PMDB resalta que,além de Delcídio, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também não foi poupado pela PF.

Estratégia

Para o clima negativo da operação da PF não contaminar o Congresso, tanto Cunha quanto Renan agilizaram para colocar os plenários para funcionar. No caso da Câmara, aliados de Cunha interpretaram a atitude dele como uma demonstração de força. “Ele chegou, falou com a imprensa, conseguiu um quórum bom e votou matérias que agradam o governo. Ele mostrou que não se abalou”, avalia um peemedebista.

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