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15/12/2015 23:07 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Meditação pode ajudar a criar empatia e diminuir o racismo, diz pesquisas

Jordan Siemens via Getty Images

O ponto de partida

Erradicar o racismo não é proeza fácil, para dizer o mínimo. Por sorte, existe todo um conjunto de pesquisas que procuram descobrir como criar empatia entre grupos de pessoas através da manipulação das emoções com a ajuda da meditação, música emotiva ou a rememoração de lembranças felizes.

Mas quando se trata de reduzir o preconceito racial, os resultados, até agora, têm sido ambíguos. A meditação foi apontada como tática relativamente promissora – especificamente, a técnica budista conhecida como meditação da bondade amorosa (metta ou LKM, sendo a sigla as iniciais de loving-kindness meditation).

A prática dessa meditação envolve a repetição de frases como “que você seja feliz e saudável” enquanto se visualiza uma pessoa (no caso em pauta, uma pessoa de outra raça) a quem esses sentimentos positivos são voltados.

Em um estudo novo, pesquisadores da Universidade de Sussex procuraram determinar se a LKM, graças às emoções positivas que supostamente gera, voltadas para um objeto externo, é capaz de amenizar o preconceito racial.

Como foi realizado

Os pesquisadores reuniram 69 estudantes universitários que não meditam habitualmente e os dividiram em dois grupos: um deles praticaria a LKM por sete minutos e o outro, não.

No grupo dos que fariam a LKM, os participantes foram orientados a fechar os olhos, imaginar pessoas que os amavam e enviar amor a elas – ou seja, desejos de saúde, felicidade e bem-estar.

Depois de quatro minutos, foram orientados a abrir os olhos e redirecionar os sentimentos amorosos para uma foto de uma pessoa negra do mesmo gênero que eles. O outro grupo de participantes foi instruído a fechar os olhos e pensar nas características físicas de duas pessoas que conheciam, mas por quem não tinham qualquer sentimento forte.

Depois disso, foram orientados a abrir os olhos e olhar para uma foto de uma pessoa negra do mesmo gênero que elas, enfocando suas características físicas. Foram usadas as mesmas fotos para os dois grupos.

No final do estudo, os dois grupos fizeram um Teste de Associação Implícita, uma ferramenta usada por pesquisadores para medir o preconceito racial implícito.

Os participantes também responderam a um questionário para relatar as emoções positivas que sentiram ao longo do exercício de sete minutos de duração.

Os resultados

Depois de analisar os questionários preenchidos após o exercício, os pesquisadores constataram que sete minutos apenas de meditação da bondade amorosa direcionada a outra raça levaram a uma redução do viés racista implícito.

Mas a LKM não mostrou ser uma cura milagrosa do preconceito geral – apenas reduzia o viés racista em relação a um grupo-alvo específico (por exemplo, a raça da pessoa mostrada na foto), não de quaisquer outros grupos não brancos incluídos no questionário sobre viés racista feito após o exercício.

Em termos da capacidade da LKM de reduzir o racismo no estudo, os fatores importantes identificados pelos pesquisadores foram os tipos de emoções positivas relatados pelos participantes depois do exercício: o que se constatou foi que apenas os meditadores que relataram emoções positivas inerentemente direcionadas a outras pessoas – como gratidão, amor e respeito – tiveram viés racial reduzido, e não os meditadores que relataram ter tido emoções positivas não voltadas a outras pessoas, como curiosidade, orgulho e contentamento.

Conclusões

Essas descobertas reforçam o conjunto crescente de pesquisas sobre o mindfulness como ferramenta útil no combate ao racismo (entre outras coisas). Para quem não conhece os benefícios da meditação, que já foram fartamente estudados, isso tudo pode soar como baboseira, mas práticas de mindfulness como a meditação da bondade amorosa possuem o potencial de tirar as pessoas do pensamento automático e promover a empatia.

É claro que serão necessárias mais pesquisas antes de podermos afirmar que esta é uma maneira viável de combater o racismo sistêmico. Afinal, não é possível forçar pessoas preconceituosas a meditar.

Mas, segundo os autores do estudo, entender como suscitar o tipo correto de emoções positivas através da meditação pode ser crucial para promover este tipo de pensamento fora do ambiente experimental.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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