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15/12/2015 14:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Mariana: uma cidade turística sem turistas

Felipe Larozza/VICE

"Tragédia", "desastre", "caos" e "lama" são algumas das palavras que acompanharam o nome da cidade de Mariana, em Minas Gerais, depois que uma barragem de rejeitos se rompeu no distrito de Bento Rodrigues no início de novembro. Porém a realidade é outra: exceto pelo local destruído, a cidade está intacta. O núcleo histórico, composto pela airosa arquitetura lusitana, com casarões, igrejas, museus, ruas de pedras, sacadas com balcões de ferros trabalhados e janelas em arcos, continua o mesmo.

Afora o episódio em Bento Rodrigues, tudo está como sempre esteve. Em nenhum dia o município sofreu com a falta de água – caso de diversas cidades adjacentes, como Governador Valadares. Mariana não foi atingida por uma gotícula de lama sequer. E, agora, quem sofre com isso é a população que vive do turismo. Com medo, ninguém quer viajar para lá.

O fato vem à tona quando a equipe da VICE para em frente a uma loja de artesanatos em pleno centro histórico. Pela janela, a proprietária Girlei de Cássio comenta com um amigo que a falta de turistas está afetando os negócios. "As pessoas não vêm porque estão achando que Mariana está acabada. E não é. Não é isso que está acontecendo", informa à VICE. "Não tem nada de barro, de lama. Foi distante daqui."

De fato, o distrito de Bento Rodrigues fica a 35 km do centro histórico do município.

O movimento fraco tem afetado a matemática na hora de pagar as contas. "É bem problemático", lamenta Girlei. "Se a gente não vende, complica as despesas que temos no final do mês." Ao se despedir da nossa equipe, a comerciante agradece os poucos objetos que compramos. Apesar de a noite estar caindo e as portas do estabelecimento prestes a serem abaixadas, Girlei suspira baixinho: "Foi minha primeira e única venda do dia".

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