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15/12/2015 12:14 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Defesa de Cunha considera que buscas da PF na casa de deputado 'ajuda' no Conselho de Ética

Montagem/Estadão Conteúdo

O advogado Marcelo Nobre, que defende o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, afirmou na manhã desta terça-feira (15) que a operação que fez buscas e apreensões nas casas do parlamentar em Brasília e no Rio de Janeiro ajudam na defesa de Cunha contra o pedido de cassação dele no parlamento.

“Isso só reforça a nossa defesa, só reforça. A defesa tem duas questões: que não tem prova, e o que decorre da busca e apreensão na casa do meu cliente? A busca de provas. A segunda razão na minha defesa, o conselho não tem poder investigativo, quem o tem é o Supremo. Portando, esses acontecimentos na casa do meu cliente só reforçam a defesa neste conselho de ética, já que estamos aqui para tratar de quebra de decoro ou não”.

A oitava tentativa de votação da admissibilidade do processo de cassação contra Cunha teve, mais uma vez, tentativas por parte de aliados do presidente da Câmara para protelar a análise. Um pedido de vista do deputado Genecias Noronha (SD-CE) foi negado por 11 votos a 9. Outros deputados da ‘tropa de choque’ de Cunha questionaram uma eventual quebra do regimento.

Revoltado, o deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) disse “estar descrente” quanto aos trabalhos do conselho, sendo rebatido por Valmir Prascidelli (PT-SP). Houve bate-boca entre petistas e tucanos, que acusaram os deputados contrários a Cunha de ‘quadrilha’.

O novo relator do processo, deputado Marcos Rogério (PDT-RO) fez a leitura do parecer prévio, pedindo a admissão. Já o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), iniciou a sessão dizendo que a última reunião foi vergonhosa para os parlamentares.

“Se pudéssemos apagar (a última sessão) seria a melhor coisa que poderíamos fazer. Foi um fato deplorável, que nada engrandece o Conselho”, afirmou Araújo, numa referência à troca de tapas entre os deputados Wellington Roberto (PR-PB) e Zé Geraldo (PT-PA).

PSol pedirá novo afastamento, agora ao STF

Deputados do PSol prometem apresentar nesta terça-feira uma carta aberta a ministros do STF pedindo o afastamento de Cunha. O peemedebista foi um dos principais alvos da nova fase da Operação Lava Jato, que fez nesta terça buscas e apreensões na residência oficial dele em Brasília, no escritório político no Rio de Janeiro e na Diretoria-Geral da Câmara.

"A permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados é uma ofensa à Nação! Em Carta Aberta aos ministros do Supremo Tribunal Federal, os deputados do PSOL e de diversos partidos manifestarão, ainda hoje, esta opinião - expressão de um clamor público que chegou ao seu ápice", afirma o líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), em nota enviada à imprensa.

Deputados do PSol e da Rede já tinham protocolado pedidos de afastamento de Cunha na Procuradoria-Geral da República (PGR). Os parlamentares argumentam que o presidente da Câmara tem usado o cargo para atrapalhar as investigações e manobrar a favor dele o julgamento da representação no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar.

(Com Estadão Conteúdo)

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