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11/12/2015 15:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Policiais do Bope são presos por envolvimento com o tráfico no Rio

Bloomberg via Getty Images
Members of Brazil's special operations battalion (BOPE) simulate a bus hijacking and hostage crisis at the Golfe Olimpico station on the newly-inaugurated Bus Rapid Transit corridor system in the Barra da Tijuca neighborhood of Rio de Janeiro, Brazil, on Wednesday, Feb. 11, 2015. The drill is in preparation for Brazil's hosting of the 2016 Summer Olympics during which the bus line will be one of the main public transportation systems taking spectators to the games. Photographer: Dado Galdieri/Bloomberg via Getty Images

Quatro policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram presos na manhã desta sexta-feira (11), suspeitos de fazerem parte de um esquema criminoso de vazamento de operações e venda de armas e drogas para traficantes do Comando Vermelho, a maior facção criminosa do Rio de Janeiro.

A ação foi resultado de quatro meses de uma investigação conjunta da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), Corregedoria da PM e do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. Outro agente está foragido.

De acordo com os investigadores, eles tinham contato direto com criminosos das principais favelas dominadas pelo CV e que, hoje, abrigam alguns dos maiores criminosos da cidade, como Chapadão, na Pavuna, Faz quem Quer, em Rocha Miranda; Covanca, Jordão, São José Operário, Barão, em Jacarepaguá; Antares e Rola, em Santa Cruz; Vila Ideal e Lixão, em Duque de Caxias; e Complexo do Lins, no Méier.

Em praticamente todas as ações panejadas pelos homens de preto havia vazamento minutos depois das reuniões ainda dentro da sede do batalhão, em Laranjeiras, na Zona Sul. Segundo investigadores, as propinas variavam entre 2.000 e 10.000 reais por favela.

Foram presos Maicon Ricardo Alves da Costa, que se identificava como Preto 1, André Silva de Oliveira, o Preto 2', Raphael Canthé dos Santos, o Preto 3 e Rodrigo Meleipe Vermelho Reis, todos ainda lotados no Bope. Já Silvestre André da Silva Felizardo, que se identificava para os criminosos como Corinthians, estava atualmente no 15ºBPM (Caxias).

Desde fevereiro o site de Veja vem revelando esquemas de corrupção, extorsão e venda de armas e drogas envolvendo integrantes da tropa de elite da PM do Rio de Janeiro.

Alguns deles chegaram a prestar segurança para bandidos da facção Amigos dos Amigos (ADA) como Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, e Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, que acabou morto numa ação conjunta das polícias Civil e Federal.

As reportagens mostraram ainda um esquema parecido, em que 'caveiras' também vendiam armas, uniformes e informações privilegiadas para a quadrilha do Complexo da Maré, na região dominada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP). Agora, com essa relação comprovada de recebimento de propinas do Comando Vermelho, as autoridades mostram que o Bope se entranhou na teia criminosa das três quadrilhas que dominam o tráfico de drogas do Rio de Janeiro. A faxina na tropa que já não tem mais quase nada de elite passou da hora.

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