MULHERES
11/12/2015 16:09 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Mulheres vão às urnas na Arábia Saudita pela primeira vez neste sábado

ASSOCIATED PRESS
In this Wednesday, Nov. 11, 2015 photo, a journalist makes her way in Riyadh, Saudi Arabia. Outside the Saudi capital of Riyadh, in one of the country's most conservative provinces, Jowhara al-Wably is making history by running as a female candidate in upcoming elections. Saturday's vote for municipal council seats marks two milestones for Saudi women: It is the first time women are allowed to vote in a government election and the first time women can run as candidates. (AP Photo/Hasan Jamali)

Pela primeira vez, as mulheres da Arábia Saudita poderão votar e ser votadas para cargos políticos no país. Isso acontecerá neste sábado (12), dia em que estão marcadas as eleições municipais no país, nas quais os cidadãos vão escolher seus representantes para as assembleias locais.

As mulheres representam apenas um em cada sete candidatos - que, ao todo, são em 7.000 e concorrem a 3.1000 assentos na assembleia. Além disso, o número de homens que se registraram como votantes (1,35 milhão) é mais de dez vezes o de mulheres que vão votar (130 637). Pelo menos duas ativistas, incluindo uma que faz campanha pelos direitos humanos, estão entre as dezenas de candidatos banidos do pleito.

O fato de as mulheres poderem votar neste sábado, porém, não significa que elas passarão a ter acesso aos mesmos direitos que os homens na Arábia Saudita. O país ainda proíbe que pessoas do sexo feminino dirijam ou viagem sem a autorização do marido, pai ou irmão, por exemplo. Durante os comícios, as candidatas têm de discursar atrás de uma divisória e devem ser representadas por parentes ou amigos do sexo masculino para, por exemplo, interagir com os apoiadores nas redes sociais.

No entanto, mesmo as assembleias municipais tendo poderes limitados no país, a abertura do caminho para o engajamento político das mulheres pode, de alguma forma, dar início a uma mudança nas questões relacionadas à cidadania. A Arábia Saudita vive um momento de grandes desafios, entre eles uma guerra travada contra os rebeldes no Iêmen e a queda do preço do petróleo, que tem importância vital para a economia da região.

"Todo o mundo está falando sobre a participação das mulheres, mas não é só sobre isso - é sobre engajamento civil", afirmou Rasha Hefzi, uma empresária de 38 anos que se candidatou a eleição, ao jornal britânico The Guardian. O slogan de sua campanha é "Nós começamos e vamos continuar". Ela possui um perfil profissional no Twitter e em outras redes sociais, repletos de gráficos estilizados e comentários sobre seu comprometimento e vontade.

Sob o reino de Abdullah, o predecessor de Salman que morreu em janeiro, aconteceram algumas tímidas mudanças, mas que contribuíram para dar esperança às mulheres, como a abertura da candidatura para as assembleias locais. Contudo, existem barreiras criadas pelo islamismo e pelo wahhabismo - uma doutrina sunita puritana baseada na interpretação literal do Alcorão - que ainda fazem da Arábia Saudita um dos países que mais restringem os direitos das mulheres no mundo.

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