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09/12/2015 10:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Jovens assassinados por PMs no Rio não tinham vestígio de pólvora nas mãos

Montagem/Estadão Conteúdo

Os laudos divulgados nesta terça-feira (8) pelos institutos Médico Legal (IML) e de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) constataram que os cinco jovens assassinados por policiais militares em Costa Barros, zona norte do Rio, no último dia 28, levaram 30 tiros de fuzil e pistola. Também foi constatado que, dos 111 disparos feitos por policiais do 41º Batalhão de Polícia Militar (BPM), 81 acertaram o carro onde as vítimas estavam.

As conclusões dos peritos desmentiram a versão dos policiais de que teria havido no local da matança um confronto entre criminosos inimigos. Segundo os laudos, os disparos foram feitos de trás para a frente e pela lateral direita do Palio dos rapazes, o que contradiz o relato dos policiais de que o jovem que estava no banco do carona atirara contra eles.

Além disso, segundo o laudo cadavérico, não havia vestígio de pólvora nas mãos das vítimas, nem indícios que tenha ocorrido confronto entre elas vítimas e os PMs. Os troncos foram as partes dos corpos mais atingidas. Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos e Wesley Castro Rodrigues, de 25, levaram três tiros cada um. Cleiton Corrêa de Souza, de 18, e Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16, receberam sete. Roberto de Souza Penha, de 16, foi atingido por dez tiros.

O inquérito, a cargo da 39ª Delegacia de Polícia (Pavuna, zona norte), deve ser entregue ao Ministério Público nesta semana, para oferecimento de denúncia dos quatro acusados à Justiça.

De acordo com o delegado Rui Barboza de Souza, foi constatado que os jovens não saíram do carro, que estava parado no momento dos disparos. Os policiais também tentaram manipular a cena do crime e botaram uma arma embaixo do veículo, segundo as investigações. Souza ainda quer autorização da Justiça para realizar o confronto balístico e a reconstituição do crime.

Os acusados do crime - soldados Thiago Resende Viana Barbosa e Antônio Carlos Gonçalves Filho, sargento Márcio Darcy Alves dos Santos e cabo Fabio Pizza Oliveira da Silva - foram presos sob a acusação de homicídio qualificado e fraude processual. Estão no Batalhão Especial Prisional, em Niterói.

Os jovens foram mortos na região do complexo de favelas da Pedreira, após voltarem de uma comemoração no Parque Madureira, também na zona norte. Na ocasião, os policiais alegaram que receberam denúncias de que o grupo estaria envolvido em um roubo de carga, o que foi descartado nas investigações da chacina.