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09/12/2015 17:55 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Como o sindicato de atletas de beisebol fez da MLB uma liga liberal em relação à maconha

Reprodução

A Major League Baseball (MLB), principal liga de beisebol dos Estados Unidos, tem uma das políticas mais progressistas sobre o uso de maconha por atletas.

Enquanto outras ligas aplicam suspensões no caso de testes positivos para cannabis, a política atual da MLB não prevê esse tipo de punição, não importando quantas vezes um jogador da liga principal tenha testado positivo.

Curiosamente, a mesma política não se aplica aos jogadores da liga menor de beisebol (Minor League), que são submetidos a uma clara política draconiana.

Em novembro deste ano, essa política ficou em evidência quando Alex Reyes, arremessador do Springfield Cardinals, equipe afiliada ao St. Louis Cardinals, recebeu uma suspensão por 50 jogos depois que um segundo teste comprovou o uso de maconha.

O jogador de 21 anos foi o segundo com melhor desempenho no chamado “celeiro” dos Cardinals – que prepara jogadores da segunda divisão para ingressar na liga principal — antes da temporada de 2015, segundo a Baseball America.

Reyes pediu desculpas no Twitter por ter “decepcionado minha família, torcedores, colegas da equipe e a organização St. Louis”.

Então temos uma suspensão de 50 jogos devido a um segundo teste de drogas positivo na liga menor, e nenhuma suspensão ou simples multa na liga principal. Qual o problema? Por que a diferença?

Jeff Passan, do Yahoo Sports, acredita que alguns motivos fora do campo influenciam a rígida punição da MLB para ligas menores por delitos que envolvam maconha.

“Talvez o beisebol esteja tentando apelar para sua antiga base, branca e conservadora, ao reprimir a maconha”, Passan escreveu em um artigo publicado em novembro deste ano, “ou talvez esteja aplacando os ânimos de seus parceiros na indústria do álcool, que canalizam milhões de dólares para os cofres do jogo”.

Embora alguns desses fatores possam ter peso, a maior razão para a disparidade entre as ligas principais e as menores é evidente: as ligas principais são sindicalizadas, as menores não.

Alex Reyes fazendo um lançamento em uma liga da segunda divisão na temporada 2015

A Associação de Jogadores da MLB (MLBPA) lutou para assegurar que seus membros não fossem punidos com suspensões devido ao uso de maconha, como parte do Programa para o Tratamento e Prevenção do Uso Drogas.

Nunca ninguém lutou pelas ligas menores, por isso seus jogadores têm de lidar sozinhos com qualquer punição que a MLB julgue necessária.

O representante de comunicações da MLB, Michael Teevan, disse exatamente isso por e-mail quando perguntado sobre o porquê da disparidade entre as punições das ligas principais e das menores. “As diferenças entre os programas [de tratamento da dependência] derivam do fato de que um foi alcançado em um ambiente de acordo coletivo, e o outro não”, disse Teevan.

Como resultado, o escritório do comissário da MLB administra o Programa de Prevenção do Uso de Drogas da Minor League sem o envolvimento da MLBPA. E, sem a pressão do sindicato, o comissário decidiu impor sua punição severa.

Comissário da MLB, Rob Manfred

Em uma entrevista por telefone ao The Huffington Post, Greg Bouris, da MLBPA, não quis comentar o caso específico de Reyes, mas reiterou o argumento de Teevan, dizendo simplesmente que “os jogadores da Major League Baseball e os da Minor League Baseball são tratados de maneira diferente porque os jogadores da MLB são membros do sindicato”.

A capacidade da MLBPA de eliminar as suspensões por consumo de maconha demonstra por que a associação é, sem dúvida, o sindicato de jogadores mais forte dos EUA, mas também é um exemplo concreto do que pode acontecer aos trabalhadores quando ninguém responde por eles.

Sem um sindicato ao lado deles, jogadores de ligas menores como Reyes não têm outra saída, a não ser concordar com os termos de um programa de prevenção do uso de drogas desnecessariamente rígido.

Mas, detalhe, talvez eles consigam fazer parte das grandes ligas um dia.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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