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08/12/2015 14:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

#OcupaEscola: 'Alckmin não pode ser responsabilizado' por falta de diálogo com a sociedade, diz deputado do PSDB

Montagem/Facebook e Estadão Conteúdo

O deputado estadual Welson Gasparini (PSDB) afirmou nesta segunda-feira (7) que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não pode ser responsabilizado pela falta de diálogo com a sociedade no que diz respeito ao projeto de fechamento e reorganização das escolas estaduais. O parlamentar, que é ex-prefeito de Ribeirão Preto, ‘jogou a culpa’ no ex-secretário estadual de Educação, Herman Voorwald.

“A falta de diálogo da secretaria da Educação com a sociedade - pela qual o governador não pode ser responsabilizado - divulgando, de modo claro e inequívoco, as razões da mudança, o custo e a destinação certa de cada prédio acabou ensejando, de parte dos sabotadores desse projeto, a divulgação de mentiras como a de que o governo iria fechar escolas”, escreveu Gasparini, em coluna publicada no site da Assembleia Legislativa (Alesp).

O deputado tucano ainda criticou Voorwald por não ter informado sobre o projeto até mesmo para a Comissão de Educação da Alesp, da qual Gasparini faz parte. “Só soubemos desse plano quando ele já estava, praticamente, na fase de execução”, explicou. Para o parlamentar, além da falta de diálogo, o projeto enfrentou o “oportunismo de grupos radicais liderados pelo PT” e a presença de entidades como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), “que trabalharam para inflar os protestos”.

“Obviamente as manifestações exacerbadas tiveram conotação política com a participação de partidos e grupos ideológicos interessados em conturbar a ordem pública e criar constrangimentos para o governo estadual (...). A falha elementar foi a falta de comunicação clara desde o início transformando uma iniciativa voltada para o aprimoramento educacional numa questão política para sindicatos e movimentos sociais”, complementou o tucano.

Para Gasparini, a proposta de reorganização das escolas é “tecnicamente bem elaborada”. “A reestruturação, em si, é correta, porque permitirá a otimização de recursos e o uso de prédios quase ociosos em benefício dos estudantes. O que faltou foi explicá-la, didaticamente, à sociedade”, concluiu o tucano, que deu a entender que a ideia do governo de SP é mesmo retomar a proposta no futuro.

Advogados dizem ter acionado Alckmin na OAS

Um grupo de advogados publicou nas redes sociais que acionou o governo de SP na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), na tarde do último sábado (5). A medida cautelar seria em razão das “arbitrariedades” de Geraldo Alckmin, com diversas reportagens, fotos e vídeos, as quais demonstrariam o quanto o projeto era ruim para os estudantes.

Além disso, a violência da Polícia Militar comporia a peça de número 0000001049. “É INADMISSÍVEL esse estado de ditadura militar continuar, por isso decidimos fazer essa denúncia, pedindo a intervenção dessa Comissão Internacional, já que o governador não está respeitando as decisões dos tribunais brasileiros (sic)”, escreveram os advogados.

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Posted by Não fechem minha escola on Segunda, 7 de dezembro de 2015

Ocupações ainda resistem

Três dias depois de o governador Geraldo Alckmin anunciar a suspensão da reorganização escolar, 42 colégios foram desocupados pelos estudantes - o movimento chegou a ter 196 unidades tomadas. Na segunda-feira (7), porém, estudantes promoveram dois protestos, com bloqueio de rua e estrada, e houve shows em apoio às escolas ainda ocupadas.

De acordo com a Secretaria da Educação do Estado, o número de escolas tomadas por alunos passou de 188, na manhã de segunda-feira, para 154 no fim da tarde. Na sexta-feira, dia em que Alckmin publicou o ato que revogou a reorganização da rede, o número havia chegado a 196. Na Escola Estadual Gavião Peixoto, em Perus, zona norte, os alunos decidiram que vão deixar a unidade nesta terça-feira (8), depois de terem recebido o apoio de artistas que fizeram shows no colégio na tarde de segunda.

"Esses shows mostram que nossa luta não acaba aqui, nós vamos desocupar a escola, mas continuamos batalhando. Não queremos prejudicar os outros alunos, por isso, vamos sair. Mas saímos com a cabeça levantada e o apoio popular", disse Vanessa Alves da Silva, de 16 anos, aluna da Gavião Peixoto.

A resistência dos alunos, no entanto, tem provocado críticas – uma estudante chegou a ser agredida em um ato de segunda-feira. Eles dizem que querem o cancelamento da reorganização - e não a suspensão da medida, como anunciou Alckmin, que prometeu ainda discutir a proposta no próximo ano. Não há, no entanto, um consenso sobre a continuidade das ocupações.

A presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, disse respeitar a autonomia dos jovens. “A Ubes se posiciona a favor das ocupações e respeita a autonomia e responsabilidade de cada estudante que ocupou sua escola a definir a data para sair”.

Alckmin declarou à imprensa na segunda-feira que “não há razão nenhuma para ter escola hoje invadida”. “Se a causa era essa, agora é retomar as aulas para poder, o mais rápido possível, concluir o ano letivo. Esse é o objetivo”, avaliou o governador, que disse ainda não ter pressa para indicar o substituto de Voorwald no comando da Secretaria Estadual de Educação.

(Com Estadão Conteúdo)