MULHERES
04/12/2015 15:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Brasil passa por epidemia de cesarianas, dizem especialistas em audiência no Senado (VÍDEO)

Em debate na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado nesta quarta-feira (2), estudiosos da área de saúde chamaram atenção para o elevado número de cesarianas no País, que definiram como “epidemia”, e apontaram o impacto desses procedimentos na mortalidade infantil e na mortalidade materna.

O Brasil é o país com maior taxa de cesáreas do mundo: 84% de nascimentos da rede privada acontecem por esse método e 40% na rede pública, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda apenas 15%, ou seja, nos casos estritamente necessários.

Para a coordenadora da saúde das mulheres do Ministério da Saúde, Maria Esther Vilela, a cesariana tem se mostrado desnecessária e prejudicial à saúde de muitas gestantes. Ela considera que existe um modelo violento de assistência à saúde, que banaliza a intervenção cirúrgica e comercializa o nascimento.

"Nós temos também a banalização da cesariana, como se a cesariana não tivesse risco nenhum. E temos riscos imediatos da cesariana, é mais arriscada e temos riscos futuros", afirmou.

Para combater os casos de violência obstétrica no País, os palestrantes na CDH argumentam que é preciso promover a saúde infantil e materna, garantir os direitos reprodutivos da mulher e alterar as práticas na saúde privada e pública.

Violência obstétrica

A senadora Ângela Portela (PT-RR), que solicitou a audiência pública, argumenta que ainda é preciso avançar no combate à violência obstétrica no País.

"Precisamos avançar muito nas políticas voltadas para combater esse tipo de violência: apresentar propostas viáveis, destinar recursos no orçamento para que os Estados e os municípios possam implementar essas políticas tão importantes para combater a violência obstétrica"disse a senadora.

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA O combate a esse problema e a construção de um ambiente colaborativo entre autoridades da área de...

Posted by Ângela Portela on Quarta, 2 de dezembro de 2015


A violência obstétrica nas unidades de saúde vai desde a imposição médica na hora do parto até o tratamento desrespeitoso dos profissionais de saúde contra a mulher e a criança. Pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela que uma em cada quatro brasileiras sofreu algum tipo de violência durante o parto.

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