NOTÍCIAS
03/12/2015 16:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

‘Se não vai ter recesso para julgar Dilma, também não deve ter para julgar Cunha'

Montagem/Getty Images/Estadão Conteúdo

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo(PSD-BA), quer que o colegiado continue trabalhando, caso a Câmara dos Deputados não entre em recesso.

Ele disse que ainda não pediu oficialmente ao presidente da Casa,Eduardo Cunha (PMDB-RJ), porque ainda não foi definido se o Congresso parará ou não.

Há a opção de a Câmara e o Senado continuarem as atividades para dar encaminhamento ao processo de impeachment contra a presidenteDilma Rousseff.

“Se pode continuar para apreciar o impeachment, o conselho também pode continuar normalmente. Ou seja, se não vai ter recesso para julgar Dilma, também não deve ter para julgar Cunha”, diz Araújo.

O argumento dele é endossado pela deputada Margarida Salomão (PT-MG).

“Espero que o conselho continue com a mesma celeridade que está sendo usada para abrir o processo contra Dilma. Que essa mesma velocidade prevaleça para caçar o mandato de Cunha.”

Até entre peemedebistas há o mesmo entendimento. “Não é ele que diz que 'pau que dá em Chico dá em Francisco', que seja assim no Congresso e no Conselho de Ética”, diz um peemedebista histórico.

Integrante do colegiado, Onyx Lorenzoni (CEM-RS) é contrário a tese de convocação para mais de uma pauta.

“Minha experiência com outras convocações mostra que não é possível que tenha o conselho. Temos que tratar as coisas com suas diferenças. Conselho é uma coisa e impeachment é outra. A pauta da convocação é uma e específica.”

Recesso

Para que o recesso seja cancelado, o Congresso, formado pelas duas casas, tem que tomar a mesma decisão. Para isso, tanto a Câmara quanto o Senado devem fazer uma votação e apresentar a pauta para o recesso. Nas duas casas é preciso maioria simples para cancelar as férias.

Representação

Cunha é alvo de um processo de quebra de decoro, que pede sua cassação. Autores da representação, o Psol e a Rede apresentaram uma série de argumentos contra o presidente da Casa, como a delação premiada de Julio Camargo, que acusa o peemedebista de ter cobrado propina, as contas na Suíça e a suspeita de que ele tenha mentido na CPI da Petrobras, ao dizer que não tinha contas bancárias no exterior.

Ao perder apoio do PT para arquivar a representação, Cunha anunciou, na quarta-feira (2), que havia aceitado um dos pedidos de impeachment contra a presidente. Imediatamente, Dilma rebateu e disse que não cede a chantagem.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: