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02/12/2015 15:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Para não 'destruir a imagem do partido', PT decide votar contra Cunha no Conselho de Ética

Montagem/Estadão Conteúdo

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Sibá Machado (AC), anunciou na tarde desta quarta-feira (2) que a bancada do partido fechou questão a favor da admissibilidade do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo Sibá, houve uma pressão externa para que os petistas votassem contra o peemedebista. O governo será comunicado agora da decisão da bancada.

A decisão contraria os esforços do Palácio do Planalto para livrar Cunha do processo, que pode culminar com a cassação de seu mandato.

O temor dos governistas é que, ao ser contrariado, Cunha acate um dos pedidos de impeachment protocolados contra a presidente Dilma Rousseff.

No final desta manhã, líderes partidários ligados ao peemedebista estiveram com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, que havia garantido ao grupo o voto dos petistas em favor do arquivamento do processo no Conselho.

No fim da reunião da bancada do PT, Sibá disse que era contrário a antecipar a posição dos petistas, mas que havia um clamor da militância para que o partido votasse pela continuidade do processo.

"Era o clamor dos petistas e isso influenciou muito a posição da bancada", disse. Sibá afirmou não temer chantagem. "Não tenho medo dessas coisas”.

O mesmo pedido foi feito pelo presidente do partido, Rui Falcão. À Folha de S.Paulo, ele disse que o partido “não pode passar por esse desgate” e que o arquivamento da representação, com a digital do PT, acabaria com a imagem do partido.

Os três representantes da sigla no Conselho - Zé Geraldo (PA), Valmir Prascidelli (SP) e Leo de Brito (AC) - deixaram a reunião da bancada aliviados com o apoio dos correligionários.

"Vamos seguir a posição da bancada, e o governo agora tem que agir (para votar a pauta de interesse do Executivo)", afirmou Zé Geraldo.

Sessão arrastada

A decisão do PT foi tomada minutos antes do início da sessão do Conselho de Ética desta terça-feira, quando se esperava continuar a discussão da representação contra o presidente da Casa. O colegiado, porém, decidiu adiar os trabalhos para a próxima terça-feira (8).

A reunião foi atropelada pela sessão do Congresso que aprecia a alteração da meta fiscal. De acordo com o regimento da Casa, a partir do momento que iniciam as deliberações no plenário, qualquer decisão tomada nas comissões é automaticamente invalidada.

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